Nestlé

A realidade aumentada (AR) é, como o próprio nome diz, algo real. Pelo menos em aplicações voltadas ao comércio e ao consumidor final. Durante o último mês, Mobile Time conversou com grandes marcas dos setores de calçados esportivos, viagens e alimentação que lançaram soluções móveis para consumidores interagirem com seus produtos e serviços no dia a dia.

Um desses casos é o da Nestlé. Com foco na Páscoa, a companhia apostou na AR para atrair clientes com duas soluções: um aplicativo com imagens de animais em 3D para consumidores dos ovos de chocolate Surpresa, Nestlé Realidade Aumentada (Android, iOS);e um assistente virtual para auxiliar na escolha dos ovos no ponto de venda, ao clicar no ícone da promotora com camiseta amarela.

“Hoje 50% do nosso portfólio (de Páscoa) é focado em inovação e renovação. Quando colocamos conteúdo em AR no Ovo Surpresa, acreditamos que o consumidor verá valor agregado”, explica Keila Broedel, gerente de marketing sazonal da companhia. Também vimos uma oportunidade de melhorar a experiência de compra, pois respeita a individualidade do consumidor. Ele não quer ninguém abordando-o, mas quer informações”.

Tênis na palma da mão

Também focada na relação com seu consumidor através da mobilidade e da AR, a Mizuno lançou o app Mizuno AR (Android, iOS) para mostrar sua nova linha de tênis, a Mizuno Sports Style. A solução foi criada em parceria com a agência MW2MKT por meio da tecnologia Vuforia da Qualcomm, que possibilita ao usuário ver as imagens em 3D, cores e diferenciais de cada calçado.

“Nosso objetivo é mostrar para o consumidor a linha casual da Mizuno, contando sua história, e apresentando todos os produtos em detalhes, como se estivessem em sua mão, em qualquer lugar. Ou seja, em casa, a pessoa pode acessar o e-commerce e, em vez de ver só a imagem, pode ver o produto de perto, em detalhes”, descreve Silvia Rodrigues, diretora de comunicação e trade marketing da Mizuno.

 

Mizuno

Cotidiano

Outra marca que usou a realidade aumentada para engajar o seu público foi o aplicativo de comparação de preços em viagens e hotéis Momondo (Android, iOS). A companhia, controlada pelo grupo Booking.com, criou um medidor de bagagem em seu app através da realidade aumentada. Na visão do seu gerente geral para a América Latina, Alexandre Massei, a solução de AR precisa ser perene para apoiar o consumidor no cotidiano.

“Toda novidade que ele puder usar no dia a dia e em sua jornada é benéfica. Quanto mais aspectos tecnológicos pudermos colocar para favorecer o consumidor, nós vamos fazer”, disse Massei. “O medidor de bagagem é uma ferramenta útil para os consumidores. Otimiza o tempo que o passageiro precisava ligar para a companhia ou chegar mais cedo no aeroporto (para saber o tamanho da mala de mão)”.

 

AR Checker BR

Apostas e contraponto

O motivo por trás desse movimento é que as firmas começam a enxergar na tecnologia uma alternativa de fidelizar os consumidores, como explica o CEO da Agência Casa Mais, Fabio Costa. Como resultado, os projetos de realidade aumentada já representam 20% em seu faturamento anual: “Muitas empresas estão descobrindo que essa tecnologia (AR) pode agregar valor em seus produtos e serviços de uma forma versátil e interativa. Por ser uma tecnologia ampla, somada a uma dose de criatividade, nós podemos utilizá-la em qualquer projeto”.

Ainda assim, outro produtor de conteúdo em AR, Will Soares, CEO e fundador da Ever, alerta para o excesso de popularidade em torno da solução. Com atuação focada fora do comércio, o especialista explica que existem desafios a serem superados, principalmente com relação à compatibilidade de tecnologia e à viabilidade para o negócio.

“Existe essa dicotomia. Realidade aumentada é algo legal, muita gente quer. Mas quando o conceito considera compatibilidade e viabilidade, vejo dificuldades [na AR]. Por exemplo: teve uma procura forte com o lançamento do ARKit – kit de realidade aumentada da Apple –, mas caiu em seguida. Isso mostra que a realidade aumentada ainda é um hype”, diz Soares. “Essa solução evolui de maneira interessante. Mas ainda tem muito para melhorar. Quem trabalha nisso são empresas com ponto de venda. Mas ainda tem bastante resistência, mesmo entre elas”.