| Mobile Time Latinoamérica | De acordo com o relatório regional A IA que funciona para Hispanoamérica, realizado por Google e Foresight, em um ambiente adequado para seu desenvolvimento, a inteligência artificial permitiria gerar entre US$ 130 bilhões e US$ 242 bilhões anuais, valor equivalente a entre 3,6% e 6,7% do Produto Interno Bruto (PIB) da região.

O estudo analisou o impacto potencial da IA em dez países: Argentina, Chile, Colômbia, Equador, El Salvador, México, Panamá, Paraguai, República Dominicana e Uruguai. Segundo os resultados, a oportunidade econômica identificada ainda não considera o desenvolvimento de futuras indústrias nativas de IA, o que poderia ampliar ainda mais o impacto estimado.

A pesquisa foi baseada em modelos econométricos adaptados a dados macroeconômicos regionais, além de entrevistas com 55 especialistas dos dez países avaliados. O documento também inclui estudos de caso e recomendações de políticas públicas para acelerar a adoção responsável da tecnologia.

Entre os resultados de destaque, o Chile aparece como o país com maior potencial relativo, com impacto estimado entre 10,9% e 20% do PIB. O México poderia alcançar entre 3% e 5,6%, enquanto a Colômbia teria potencial entre 2% e 3,7% de sua economia.

O relatório sustenta que a IA representa uma oportunidade estratégica para diversificar as economias da região e promover um crescimento mais sustentável, especialmente em setores que ainda enfrentam desafios de produtividade e competitividade.

Quatro pilares para adoção

Para aproveitar o potencial econômico da IA, o relatório propõe um roteiro baseado em quatro pilares estratégicos: políticas públicas favoráveis, infraestrutura digital, inovação tecnológica e desenvolvimento de talentos.

Na área regulatória, o relatório alerta que as leis sobre IA devem ser construídas de forma gradual e apoiadas em marcos jurídicos sólidos. Segundo os autores, uma regulação prematura ou excessiva pode limitar a inovação e criar novas barreiras ao desenvolvimento tecnológico.

Em infraestrutura, o estudo aponta que a América Latina avançou em conectividade, implantação de redes 5G e atração de investimentos em data centers. Ainda assim, persistem desigualdades entre áreas urbanas e rurais que dificultam uma adoção mais ampla de ferramentas baseadas em IA.

O documento também destaca que o maior valor econômico da IA na Hispano-América virá da incorporação dessas tecnologias em empresas já existentes, mais do que de startups de fronteira tecnológica.

Segundo as estimativas, 75% do valor gerado ficará concentrado em quatro funções: otimização de operações, automação do trabalho do conhecimento, melhoria do atendimento ao cliente e personalização de produtos e serviços.

Por fim, o relatório enfatiza a importância do desenvolvimento de talentos e propõe um modelo de capacitação dividido em três níveis: alfabetização básica em IA, implementação de ferramentas em ambientes de trabalho e inovação avançada voltada ao desenvolvimento de novas soluções tecnológicas.

Os autores concluem que a região enfrenta uma oportunidade histórica para acelerar sua transformação digital, mas alertam que o impacto dependerá da capacidade de governos, empresas e sistemas educacionais de coordenar estratégias de longo prazo voltadas à adoção responsável da inteligência artificial.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA