A cidade de Mesquita/RJ recebeu pela primeira vez na última segunda-feira, 19, uma Prova de Conceito (PoC) de biometria palmar na área da saúde para agilizar atendimentos, realizar cadastros de pacientes e acessar prontuários. A autenticação biométrica foi desenvolvida pela Biostation, spin-off da Dinamo Networks, empresa conhecida por desenvolver segurança digital e infraestrutura crítica de criptografia do Pix.
No momento, a solução está sendo usada no programa federal Agora Tem Especialista, do Ministério da Saúde, que lançou a carreta da saúde da mulher para este programa. Ao todo são 30 dias no município para a realização de exames preventivos e redução da fila de espera por mamografias e outros procedimentos. A estimativa é que aproximadamente 1,5 mil mulheres sejam atendidas na ação.
Ao identificar as mulheres neste evento, o SUS e o Sisreg (Sistema Nacional de Regulação, do Ministério da Saúde) terão os dados dessas pessoas e, em uma próxima oportunidade ou uma visita à Unidade Básica de Saúde, elas terão acesso facilitado. “Acho que é nesse momento que Mesquita sentirá a diferença”, aposta Leonardo Araújo, CEO da Biostation, em conversa com Mobile Time.
O reconhecimento por meio da palma da mão é feito em segundos, sem necessidade de contato com o dispositivo. A título de comparação, o método tradicional de identificação das pacientes pela prefeitura levaria entre 10 e 15 minutos.
Esta é a primeira vez que a tecnologia palmar é utilizada em larga escala. “Ontem (segunda, 19) foi um sucesso, conseguimos reduzir muito o tempo de atendimento”, afirma Araújo.

Leonardo Araújo, CEO da Biostation. Crédito: divulgação
A Biostation também oferece serviço de envio de mensageria pelo WhatsApp para a prefeitura de Mesquita para o agendamento digital, confirmação ativa e automação de filas, além da validação biométrica e pesquisa de satisfação após o atendimento.
Inteligência artificial
Dentro do arcabouço de inteligência artificial, a Biostation usa técnicas de machine learning para criar os próprios algoritmos de identificação da pessoa por meio das veias da palma da mão. “O machine learning é importante para identificar um para um (ou seja, checar se a mão corresponde ao dado biométrico de uma pessoa específica) e um para n, comparar uma mão com milhões de outras”, explica Araújo. E, na prática, o sensor envia uma luz infravermelha que passa pelas veias da palma da mão e identifica a pessoa.
O nível de acurácia da tecnologia é de 99,9%, superior às demais biometrias.
PoCs da palma da mão

Crédito: divulgação
Além de Mesquita, a Biostation vai começar a testar a ferramenta de biometria palmar em breve como, por exemplo, para a retirada do documento do IPTU, criticidade e identificação de pacientes em hospitais e para a identificação de alunos e alunas em escolas. “A ideia é não expor ou coletar a face dessas crianças e adolescentes porque são dados sensíveis”, explica o CEO da Biostation. “Nossa tecnologia permite identificar quando o aluno entra e sai da escola com a palma da mão e, no momento em que a criança é identificada, os pais recebem uma mensagem pelo WhatsApp” detalha.
Outro uso da tecnologia é na identificação de pacientes. “Podemos ler a mão e saber que ele é alérgico a dipirona”, exemplifica.
Em março a Biostation vai testar em uma PoC a solução em hospitais e escolas em parceria com um estado brasileiro. O nome é mantido ainda em segredo.
Outro exemplo de testes que a empresa deve realizar é o uso de um tablet para fazer o reconhecimento biométrico palmar pelo agente comunitário de saúde. Em suas andanças por comunidades, ele precisa comprovar que passou pela residência e fez o acompanhamento familiar e, para isso, solicita que a pessoa faça a identificação por meio da palma da mão. O tablet possui GPS e, com isso, pode validar a localização (se está na casa daquela pessoa).
Também haverá uma PoC no setor de transportes – em um primeiro momento em VLTs (veículos leves sobre trilhos) e em metrôs.
Por fim, a empresa está investindo o uso de sua tecnologia nos aeroportos, para a facilitação de identificação dos passageiros, de modo que o embarque seja feito rapidamente e sem a necessidade do smartphone. “No fim, queremos chegar na autenticação rápida, sem depender de papel ou de um dispositivo externo”, resume o CEO.
Foto principal: Dispositivo de biometria palmar da Biostation. Crédito: divulgação

