A Cielo confirmou nesta sexta-feira, 20, o começo da troca do SIMCard físico para eSIM em máquinas de cartão (POS). Em conversa exclusiva com Mobile Time, Carlos Alves, VP de tecnologia e negócios da adquirente, afirmou que o core da solução não é simplesmente a mudança de chips, mas a interoperabilidade automatizada.

Ou seja, a partir do uso do chip virtualizado, o comerciante terá a troca automática para a melhor operadora no momento da transação. A ideia é eliminar o risco de não concluir uma venda por indisponibilidade da rede celular.

A Cielo notou que, muitas vezes, as reclamações dos clientes recaíam sobre POS, software ou operação, quando o motivo era falha de conectividade na rede celular. Para isso, Alves e sua equipe se aprofundaram em um estudo interno sobre a melhor operadora para cada região em que atuam no Brasil e como melhorar a qualidade do sinal e perceberam que precisavam inovar.

“Essa solução cura uma dor que o cliente tinha, mas não sabia ou não tinha recurso para determinar se era um problema de hardware, de software de terminal ou de operação. Atacamos, nos anos anteriores, em muitas tecnologias de ‘saúde do terminal’ para ter capacidade preventiva de agir”, afirmou o executivo. “Hoje nós sabemos quando a bobina do cliente está para acabar, se a POS está com vício de bateria, quando o terminal caiu e teve algum dano etc. E preventivamente consigo substituir a maquininha para o cliente. Mas o que me faltava era ter essa capacidade (de rede)”, diz.

Como funciona o eSIM na Cielo

Durante oito meses, a adquirente preparou a interoperabilidade automatizada, um sistema que faz a gestão do acesso à rede celular de uma maquininha levando em conta a qualidade de rede de cada operadora naquele local e de forma transparente, sem custos e nem barreiras tecnológicas para o seu cliente. Em outras palavras, o cliente apenas sente que a rede está mais qualitativa para as operações financeiras.

Com a interoperabilidade via eSIM, o sistema da Cielo pode entender os sinais mais estáveis e de maior intensidade para o terminal determinar qual o melhor momento de chaveamento completo: “Entregamos para o cliente um terminal com uma operadora habilitada. Se tiver variação, inconsistência, indisponibilidade, o terminal muda para outra operadora”, explica Alves.

O sistema de interoperabilidade foi feito em parceria com players do mercado TIC, como uma MVNO global que colabora com provisionamento e portabilidade e um fornecedor de “chip branco” (SIMCard físico para navegar entre as operadoras em terminais mais antigos que não tenham a capacidade do eSIM). Há também uma camada de software autônoma que analisa os sinais para da adquirente.

A conectividade a ser usada nos terminais será 4G e 5G das grandes operadoras nacionais, mas existe um plano para abarcar também provedoras regionais. Na relação comercial, a Cielo paga pelo consumo de dados, inclusive no trânsito de clientes entre operadoras. O VP explica que isso gera uma relação de ganha-ganha com as teles, ajudando a manter a infraestrutura de pagamentos funcionando.

“No final do dia, nós damos mais disponibilidade e garantindo a segurança do terminal para o cliente – com todas as dificuldades que naturalmente enfrenta no dia a dia para trazer o consumidor à sua loja – tudo que o comerciante não precisa é uma máquina POS que não passe a venda no momento que ele conseguiu converter”, completa.

Próximos passos

Com testes em algumas unidades, o parque de maquininhas por completo deve ser atualizado até o final de 2026 com o novo sistema de interoperabilidade de rede e eSIM. De forma gradual, escalonada e avaliando os avanços e desafios de cada área, a atualização deve ocorrer primeiro com os terminais de POS mais avançados do portfólio Smart e depois para os demais.

Questionado sobre o uso de APIs do Open Gateway, Alves afirmou que cogitaram usar, mas não o fizeram. Isso ocorreu por preferirem mais controle e comando direto aos parceiros de forma assíncrona e direta. Mas não descartam usar o ecossistema das operadoras no futuro.

Lembrando que o Open Gateway possui APIs das grandes operadoras brasileiras que casam com o universo financeiro e de adquirência, como QoS para garantir qualidade de rede para as maquininhas; KYC para conhecimento do cliente na ponta; e SIM Swap para analisar se um número de telefone passou por troca de chip.

Imagem principal: Carlos Alves, vice-presidente executivo de tecnologia e negócios da Cielo, em conferência com a imprensa em novembro de 2025 (divulgação)

 

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