Prestes a concluir a sua saída da América Hispânica, o grupo Telefônica aposta em um processo de consolidação do setor de telecomunicações na Europa. Em teleconferência com a imprensa nesta terça-feira, 24, os altos executivos da companhia comentaram o tema e deixaram claro que a Telefónica pretende liderar essa consolidação.

“A China tem três operadoras. A Índia tem três. Os EUA têm três. Na Espanha são quatro. Na Alemanha, quatro. Na França, quatro. O total da Europa, dependendo de como você definir, são dezenas ou centenas. Nós contabilizamos 38, considerando somente aquelas com mais de 500 mil assinantes. Nós queremos liderar esse projeto. Queremos que isso ocorra para o bem da Europa, para o bem de telecom e para bem da Telefónica”, comentou o CEO da companhia, Marc Murtra.

No entender do executivo, a Europa está, sim, preparada para ter operadoras transnacionais, do ponto de vista regulatório e legislativo, dependendo de algumas interpretações.

Ele também considera que o fato de algumas operadoras terem governos ou estatais entre seus acionistas não seria um impeditivo para a consolidação transnacional. É o caso de Telenor, Orange, Telecom Itália, Telefónica e várias outras.

“Somos empresas de capital aberto, temos nossos sistemas de governança. A participação do Estado indica que somos empresas estratégicas. A consolidação reforçaria essa realidade. Acreditamos que (o impacto da presença do Estado entre os acionistas) seja neutro (no processo de consolidação)”, avaliou Murtra.

América Hispânica: saída continuada

Em 12 meses, a Telefónica negociou a venda de oito operadoras na América Hispânica. Restaram México e Venezuela. De acordo com os executivos da companhia, o plano de saída da região continua. Portanto, as vendas das operações no México e na Venezuela são uma questão de tempo, apenas aguardando a resolução de algumas pendências regionais, como um contencioso tributário no México, em busca do melhor momento para o desinvestimento.

Os mercados-chave para a Telefónica atualmente são a Europa (Espanha, Alemanha e Reino Unido) e o Brasil.

“Telefônica cumpre”

Com o slogan “Telefônica cumpre”, o CEO destacou que o grupo alcançou as metas financeiras traçadas para o ano passado, se excluídos os efeitos cambiais – especialmente a desvalorização do Real frente ao Euro. Entre as metas atingidas estão os crescimentos de 1,5% da receita e de 2% do Ebitda (excluídos os efeitos cambiais).

“Em 2025 cumprimos todos os nossos compromissos financeiros. Crescemos em receita, melhoramos a rentabilidade e a geração de caixa. Não são resultados conjunturais, mas consequência direta de de uma execução disciplinada e de decisões estratégicas tomadas no último ano”, disse Murtra.

Em novembro passado, a companhia apresentou o seu plano estratégico batizado de “Transform & Grow”. “Nosso objetivo está sendo cumprido. Telefónica está mais focada, mais simples e capaz de crescer de forma rentável o acesso dos cidadãos a tecnologias digitais. Esse processo está em marcha e se reflete nos resultados”, acrescentou.

Para 2026, o grupo espera crescer novamente 1,5% em receita e 2,5% em Ebitda ajustado. O Capex sobre receita deve ficar em torno de 12%. E o fluxo de caixa livre deve subir dos atuais 2,8 bilhões de euros para 3 bilhões de euros.

Brasil em destaque

O desempenho do Brasil foi destaque na apresentação dos resultados de 2025. No slide dedicado ao mercado brasileiro, foram apontados os seguintes dados referentes ao ano passado:

. Crescimento de 6,7% da receita

. Crescimento de 8,4% do Ebtida

. Crescimento de 41% na base de assinantes da oferta convergente Vivo Total

. Crescimento de 5,2% no Arpu móvel

. Crescimento de 18,1% em vídeo e música OTT

. Crescimento de 37,8% em cloud para B2B

. Crescimento de 25,9% em IoT

“O Brasil teve resultados excelentes, crescendo acima da inflação em todas as métricas financeiras e com excelentes resultados comerciais”, constatou o conselheiro Emilio Gayo, na teleconferência.

telefónica

Slide na apresentação dos resultados do grupo Telefônica

Balanço de 2025

A Telefónica teve um faturamento de 35,12 bilhões de euros em 2025, queda de 1,5% em comparação com 2024. O Ebitda ajustado foi de 11,92 bilhões de euros, redução de 1,6%. E o lucro líquido foi de 2,12 bilhões de euros, diminuição de 19%. A companhia atribui principalmente à variação cambial os resultados negativos.

 

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