O governo do Piauí espera contar com os votos de 400 mil pessoas em sua iniciativa de Orçamento Participativo Digital (Opa) em 2026. Será a quarta edição desse projeto anual, que consiste em uma eleição popular online para a escolha de propostas a serem executadas pelo governo estadual. A votação acontece por WhatsApp, site, app e presencialmente, com tablets levados por equipes do Opa em vans a comunidades carentes.
As três primeiras edições somaram a participação de 479 mil pessoas, com 364 propostas eleitas e um orçamento total de R$ 220 milhões. Os números foram apresentados por Enia Meneses, diretora do Opa na Secretaria de Estado de Planejamento do Piauí (Seplan-PI), em palestra no Smart City Expo, em Curitiba, nesta quinta-feira, 25.
O Opa é organizado em cinco cidades do Piauí: Teresina, Parnaíba, Picos, Piripiri e Floriano. Chama a atenção a alta participação popular. Em Teresina, por exemplo, os participantes do Opa do ano passado representaram 39,4% do eleitorado da cidade. Em Piripiri, a proporção foi de 60,7%.
Só podem votar no Opa pessoas com mais de 16 anos. É aceito apenas um voto por pessoa. É preciso informar o CPF, que é cruzado com a Receita Federal, e a data de nascimento. Na edição deste ano, será feita também uma pergunta de verificação relacionada a um parente (exemplo: nome da mãe).
Opa: como são cadastradas as propostas?
As propostas que concorrem no Opa são criadas por associações de moradores e movimentos sociais que precisam se cadastrar junto ao governo estadual, informando CNPJ, estatuto social, comprovante de endereço, dentre outros dados. 733 entidades se cadastraram ao longo dos três primeiros anos do programa.
Cada entidade pode encaminhar até três propostas, que precisam estar dentro de uma das seis áreas do projeto, que na edição de 2026 são: mobilidade urbana e urbanizações; cultura; esporte e lazer; transformação digital; segurança e justiça; produtividade e agricultura.
Técnicos do governo estadual avaliam a viabilidade das propostas encaminhadas, fazendo uma triagem daquelas que podem concorrer. Nas três primeiras edições foram apresentadas 3.137 propostas, das quais 2.042 foram submetidas ao voto popular e 364 foram eleitas para serem executadas.
A cada edição o governo separa um orçamento para o Opa. Esse orçamento é dividido entre as cinco cidades participantes, variando de acordo com o seu tamanho. Na edição de 2026, haverá ainda um recorte por custo de cada proposta: 80% do orçamento será destinado para aquelas orçadas acima de R$ 500 mil e 20% para aquelas abaixo desse limite. Isso é uma forma de garantir a aprovação de mais propostas de menor custo.

Enia Meneses, diretora do Opa, na Seplan-PI (Crédito: Fernando Paiva/Mobile Time)
A votação e a execução
A votação acontece online ao longo de um período previamente definido. A edição deste ano começa em 12 de junho e termina em 21 de junho. As associações costumam estimular a participação popular em suas áreas de atuação, angariando mais eleitores.
Entre as propostas concorrentes há quadras esportivas, asfaltamento de ruas, bibliotecas, videotecas, hortas comunitárias, polos de artesanato, centros culturais etc.
Cada edição do Opa dura dois anos. No primeiro acontece a eleição e no segundo, a execução das propostas vencedoras. As associações são responsáveis pela manutenção das obras e serviços entregues. Por exemplo, no caso de uma biblioteca, a associação pode organizar cursos, limpar e pintar o local etc, movimentando a comunidade e garantindo a continuidade do uso e o cuidado com o bem público.
“O Opa é o menino dos olhos do governador, porque surgiu pequeno e foi tomando grandes proporções, com um impacto muito bom”, comentou Enia.
O governo do Piauí conta com apoio da Colab na organização da votação do Opa.
A ilustração no alto foi produzida por Mobile Time com IA
*O jornalista viajou a Curitiba para cobrir o Smart City Expo a convite da Ligga


