A facilidade com que qualquer pessoa, mesmo sem conhecimento técnico, consegue escrever um código de software com ajuda de inteligência artificial está impactando o dia a dia de profissionais de tecnologia da informação. Mas, se por um lado a IA torna mais difícil a contratação de profissionais iniciantes, por outro, provoca uma valorização daqueles mais experientes. Essa é a percepção da Bossabox, empresa especializada na gestão de projetos digitais e montagem de squads a partir de um banco de dados próprio com 30 mil profissionais sênior de TI cadastrados.

“Código virou uma commodity. Se a pessoa for boa em algoritmo mas não entende do negócio, ou ela se adapta ou não terá mais um diferencial”, comenta Gustavo Bassan, diretor da Bossabox, em conversa com Mobile Time.

Sua empresa trabalha em projetos de software de média e alta complexidade, por isso prioriza profissionais experientes. Segundo Bassan, a IA funciona muito bem para projetos novos, nascidos do zero, mas grandes empresas dificilmente confiam na IA sozinha para mexer no código de sistemas legados que respondem pela maior parte de suas receitas.

“IA é boa para fazer algo rápido em green field. Mas em brown field é necessário um mix de trabalho humano e IA”, argumenta. “A carga cognitiva do humano mudou. O profissional sênior ainda tem espaço por causa da arquitetura dos sistemas e o nível de abstração necessário para direcionar o trabalho da IA”, explica.

“A codificação não é mais o gargalo. O mais importante é documentar bem o software, e definir quais as regras de negócios, especificando bem. Antes de gerar qualquer código, criamos script de teste para ver o comportamento da nova funcionalidade. Gastamos mais tempo especificando do que gerando o código”, afirma.

Pesquisa da Bossabox sobre adoção de IA

Uma pesquisa com 143 lideranças empresariais conduzida pela Bossabox embasa as opiniões do executivo. O estudo revelou que embora 83% dos entrevistados tenham relatado que aumentou a adoção de IA em suas companhias em 2025, apenas 32% consideram que suas organizações têm um nível de maturidade alto ou muito alto no uso dessa tecnologia.

Além disso, 59% disseram que as respostas das ferramentas de IA demandam revisão constante, o que significa a necessidade de profissionais de TI experientes para essa tarefa. Apenas 1% declarou que os resultados da IA são “muito precisos”, enquanto 32% afirmaram que são “precisos” e 4%, “pouco precisos”.

Questionados se a IA impactou no tamanho ou na composição das equipes, 37% disseram que ainda não, mas que esperam impacto no futuro; 20%, que não houve impacto perceptível; 18%, que aumentou a necessidade por perfis mais experientes; 13%, que reduziu a equipe; e 11%, que papéis foram alterados, mas não o tamanho dos times.

A ilustração no alto foi produzida por Mobile Time com IA

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA