Um chatbot, desenvolvido por alunos da Universidade de São Paulo (USP), foi criado para combater a desinformação dentro do WhatsApp (Android, iOS). O projeto, chamado de Tá Certo Isso AI?, surgiu durante o Hackathon da Rede de Avanço em Inteligência Artificial (RAIA), um grupo de extensão da USP, realizado em setembro de 2025. Em apenas 10 horas, Caue Paiva Lira, Luiz Felipe Diniz Costa, Matheu Alves e Pedro Henrique Ferreira Silva entregaram o protótipo do chatbot, já capaz de verificar imagens, textos e links, vencendo a competição.
A premiação garantiu vaga para os jovens estudantes do Instituto Ciências Matemáticas e de Computação no AI for Good (Brasil Conference). Para se saírem bem por lá, durante as seis semanas de intervalo entre os eventos, eles se dedicaram para otimizar o projeto, restringindo as fontes consultadas para veículos confiáveis e o uso do Analytics para monitorar quais assuntos estão em alta.
Entre os três primeiros colocados, os estudantes foram convidados para apresentar seu projeto na Universidade de Harvard e no MIT, onde entraram em contato com profissionais de outras áreas.
O funcionamento do Tá Certo isso AI?
Na prática, a pessoa pode enviar qualquer tipo de conteúdo – de textos, áudios, vídeos, até figurinhas e deepfakes – para o número (35) 8424-8271 e até acioná-lo em grupos. A partir dele, o bot analisa o material, tendo como base a metodologia prevista pelo Conselho Internacional de Telecomunicações de Imprensa (IPTC), a qual estabelece uma hierarquia de tópicos, que facilita a pesquisa das informações para verificação. “Com ele, a análise é feita do contexto mais amplo para o mais específico. Por exemplo: ‘político tal é preso por corrupção’, tem a ver com crime, lei e justiça, mas mais especificamente é um crime de corrupção”, explica Costa.
No processo, o modelo de IA “quebra” o conteúdo em afirmações, pesquisando cada uma delas. “Sabemos que as fake news mais perigosas são aquelas que misturam informações verdadeiras com as falsas, por isso optamos por separar”, explica Costa. Após isso, ele retorna com o veredito, classificando-o como verdadeiro, falso, fora do contexto ou sem fontes suficientes para verificar. No caso das deepfakes, o retorno do bot indica o percentual de chances do vídeo ter sido feito por IA. Na resposta, ele também inclui um link que redireciona para o site do projeto, onde há mais detalhes sobre a verificação. Caso o material analisado possua algum dado pessoal, o sistema o remove antes mesmo de subir para o data center.
Cada análise é compilada no site oficial do projeto, que Costa chama de banco de dados público. Antes disso, porém, dados pessoais tanto do usuário quanto do conteúdo verificado são anonimizados. As respostas também são auditadas pelos estudantes e parceiros da iniciativa, os quais passam por um processo de seleção baseado no currículo e nas áreas de atuação. O maior rigor é fruto de uma preocupação: garantir que o modelo de IA funcione sem dados enviesados e para que futuramente ele se torne ainda mais especializado no combate à desinformação.
Busca por financiadores e nada de app
De acordo com os estudantes, eles próprios estão financiando o Tá Certo Isso AI?, embora estejam buscando contribuidores e parceiros para o desenvolvimento da tecnologia. Com a arrecadação, eles desejam impulsionar a divulgação do projeto via Google Ads. Alves, responsável pelo marketing, diz que está em contato com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e com os regionais.
Quanto à possibilidade de criar um aplicativo, o grupo é unânime: o projeto será mantido apenas no app de mensageria. A explicação é simples: sua penetração é quase total entre os usuários brasileiros. Além disso, mantê-lo no WhatsApp é uma forma de garantir o fácil acesso e compartilhamento.


