Desde que começou a usar medidores inteligentes, em 2021, a Copel acumula 23 milhões de leituras de consumo de energia realizadas remotamente de maneira automatizada, informou Sergio Milani, superintendente da companhia, em palestra no UTCAL 2026, evento realizado nesta quarta-feira, 18, no Rio de Janeiro. O volume de leituras está aumentando a cada ano. Em 2021 foram 78 mil. No ano passado foram 10,4 milhões.
Ao todo, a empresa tem 2 milhões de medidores inteligentes instalados em 157 municípios, o equivalente a 38% da sua concessão, em um projeto que consumiu R$ 1 bilhão até agora.
Além da leitura automatizada, os medidores permitem cortar e religar a luz remotamente. A Copel acumula 535 mil cortes e 422 mil religações feitos remotamente entre 2022 e 2025. Somente em janeiro deste ano foram 86 mil cortes remotos, seu recorde. A economia é significativa, considerando que o custo médio para deslocamento de uma equipe para cortar ou religar a eletricidade é da ordem de R$ 80.
Copel e rede privativa 4G em 450 MHz
Os medidores inteligentes da Copel usam conectividade Wi-SUN para transmissão de dados para os concentradores, que por sua vez retransmitem em rádio ponto a ponto na faixa não licenciada de 900 MHz.
No ano passado, a companhia instalou uma nova rede privativa, dessa vez em 4G (LTE), na faixa de 450 MHz, com equipamentos da Ericsson e integração da Hughes. Ela foi implementada em Curitiba e na sua região metropolitana. São cinco torres ao todo. Em grandes cidades, a empresa entende que o 4G é melhor do que rádios ponto a ponto em 900 MHz porque a necessidade de visada destes últimos é prejudicada pela construção de novos prédios e crescimento da vegetação.
A ideia é ter uma rede híbrida, com múltiplas tecnologias, e que sempre conte com redundância. Ela vai mesclar Wi-SUN, rádio ponto a ponto em 900 MHz, 4G privativo, rede celular pública (através do contrato com uma MVNO) e satélite, quando o equipamento estiver localizado em uma área sem cobertura.
“Nós optamos por não depender das redes públicas para aplicações críticas. A indisponibilidade da comunicação para o setor elétrico não é inconveniente, é um risco operacional para o nosso negócio. Então, a gente não pode depender de uma estrutura das operadoras. Precisamos de comunicação em tempo real, com baixa latência e alta confiabilidade para automação e segurança cibernética compatível com a infraestrutura crítica que operamos”, explicou Milani, em conversa com Mobile Time.
Foto no alto: painel com representantes da Hughes e da Copel na UTCAL 2026 (Crédito: Fernando Paiva/Mobile Time)


