A PTx Trimble traz para o Brasil o seu sistema de direção autônoma assistida (nível 3) para veículos agrícolas, o OutRun. Por meio de aplicativo para tablet ou smartphone uma pessoa pode controlar o trator a distância, ou seja, a máquina não precisa de um operador na cabine.
A tecnologia do sistema consiste em um módulo computacional com sensores como, radares, câmera RGB e LiDAR (sensor em 360 graus que mapeia o ambiente em tempo real) e torna a inteligência artificial e a visão computacional do OutRun mais robustas para o seu uso em campo.
Na prática, a IA desenvolvida pela PTx Trimble permite detectar obstáculos (mesmo offline), bloquear comandos inseguros e errôneos com tela vermelha e ainda possui sistema dinâmico, como controle de velocidade.
Como funciona o OutRun
Inicialmente, o sistema está homologado para duas tarefas: preparo de solo e acompanhamento de colheita (monitoramento do ciclo de crescimento das culturas durante a safra). Até 2030, a companhia quer ter todas as operações prontas para o campo com o sistema autônomo, o que inclui colheita, plantio e pulverização.
Importante dizer, o OutRun não é um trator novo. Inclusive permite retrofit com tratores antigos (power shift ou CVT) para colocar a tecnologia em uso. Na prova acompanhada por Mobile Time no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) da Unicamp, o trator estava utilizando uma antena da Starlink, que vem ativada com o kit. Mas pode ser adaptado para funcionar com outros padrões de conectividade, como 4G e 5G.
Inicialmente, o OutRun começa funcionando com soja e milho, mas terá expansão para outras culturas, como cana de açúcar.
“Aceleramos a introdução do OutRun no Brasil por ser a agricultura mais eficiente do mercado”, diz José Carlos Bueno, diretor comercial da PTx Trimble, em especial pela dinâmica da plantação de soja e milho. “A tecnologia é o que vai permitir ganhar mais eficiência no campo. O equipamento autônomo estará em total operação e permitirá otimizar a janela de plantio da soja e do milho. O produtor pode otimizar melhor os recursos, como água, defensor agrícola, sementes”, conta.
Demonstrado na Agritechnica no final do ano passado na Alemanha, a tecnologia está sendo apresentada nesta semana na Agrishow em Ribeirão Preto/SP. Em uso no campo, o OutRun está disponível inicialmente apenas nos Estados Unidos e Canadá. Ou seja, o momento é apenas de exibição para avaliar as possibilidades de lançamento comercial.
IA no campo

Trator com OutRun no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) da Unicamp (crédito: Henrique Medeiros/ Mobile Time)
Uma das barreiras comerciais, segundo Bueno, é a regulação para inteligência artificial e sistemas autônomos para o campo: “A legislação brasileira ainda não está 100% definida. Dentro de uma propriedade privada tem facilidades (de uso). Faltam ajustes ao tema, mas está caminhando”, explica.
“O mercado olha muito a via pública [como ao comparar com um carro autônomo]. Nós olhamos para o privado, que é outra aplicação. Olhamos, hoje, como podemos trabalhar dentro da atual legislação. No momento que isso ficar mais evidente será uma revolução”, completa.
Ao pedir mais detalhes, se o uso da automação precisaria da aprovação do marco regulatório de IA (PL 2338/2023) ou uma portaria do Ministério da Agricultura, o executivo endereçou essa questão para o jurídico de sua empresa. Em resposta ao Mobile Time, a PTx Trimble disse que “acredita que uma regulação clara e bem elaborada para sistemas autônomos e IA no Brasil pode ser um importante impulsionador da inovação no agronegócio”.
“A ausência de normas pode gerar insegurança jurídica, dificultando a adoção de novas tecnologias em larga escala. Por outro lado, se tivermos normas bem definidas, o Brasil terá condições de ampliar sua vantagem competitiva global, promovendo o desenvolvimento sustentável e a modernização do setor”, respondeu em nota.
*Jornalista viajou a Campinas convidado pela PTx Trimble.

