O banco Inter (AndroidiOS) lançou nesta terça-feira,2, o seu portfólio de dispositivos vestíveis de pagamentos por aproximação para o mercado brasileiro. Batizado como Inter Wearables, a categoria mira principalmente clientes da alta renda e usuários de iOS, algo que representa 30% ou 12 milhões de correntistas.

Apesar de almejar esse público com mais poder aquisitivo, os equipamentos podem ser comprados por qualquer consumidor do banco por meio de seu app e e-commerce, o Inter Shop. Uma vez com o equipamento configurado, o usuário pode efetuar pagamentos ao encostar o vestível em qualquer máquina de pagamento, como POS ou até catracas dos metrôs de Rio de Janeiro e São Paulo. 

As compras podem ser feitas em cartão de crédito e conta global do banco, em dólar ou real. Importante lembrar que pagamentos até R$ 200 seguem a regra da Abecs e não precisam de senha para serem completadas.

Inicialmente, a instituição traz pulseira (Inter Wristband) e o anel (Inter Ring) que foram feitos em parceria com um fornecedor austríaco e possuem tecnologia de tokenização da Mastercard. Além da opção de pagamentos por aproximação, os wearables podem ser usados para liberação de acesso e como uma terceira camada de segurança para o app do banco, conforme explica Rodrigo Gouveia, diretor-executivo de e-commerce e ecossistema do Inter.

“O wearable vai servir também como um terceiro fator de acesso dentro do nosso app. Então, por exemplo, o usuário está fazendo o uso do app [transferência ou pagamento, por exemplo]. Eventualmente, a pessoa entra por meio de check-in facial ou senha. Agora, o correntista terá uma terceira opção que é desbloquear com o seu vestível também [ao encostá-lo no celular]. Ou seja, mais uma forma de segurança para pagar boletos e confirmar outras operações”, explicou. 

Outra vertente que o banco trabalha é um ecossistema de acessos em serviços, como entrada em quartos de hotéis de parceiros do Inter Residence e salas VIP do Inter em aeroportos. O dispositivo também permite acessos em ambientes: a própria instituição tem usado para liberar a entrada e saída de funcionários em sua sede em Belo Horizonte e nos escritórios em São Paulo e Miami. Isso é feito por meio da API aberta Inter ID e compatibilidade com a tecnologia MIFARE.

Diferentemente de outros equipamentos do mercado, os wearables do Inter focam em lifestyle, pagamentos, segurança e acessos, uma vez que é conectada via NFC e não possui bateria. Dito isso, os vestíveis não são focados em saúde e bem-estar.

Antes de lançar, o Inter fez testes internos das soluções com 1 mil pessoas, como funcionários, familiares e clientes mais próximos.

Disponibilidade

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Exemplo de pagamento com o anel (divulgação)

O Inter Wristband vem nas opções em cerâmica nas cores rosa, preto ou cinza por R$ 465 e metalizados em dourado ou prata por R$ 485. Por sua vez, a pulseira tem o preço inicial de R$ 349 nas cores branco, preto ou laranja.  Após adquirido, o equipamento chega ao consumidor em até sete dias. 

Comercializados pelo Inter Shop no app do banco, o anel tem uma ferramenta digital que permite ao usuário definir o tamanho para o seu dedo. Mas também tem a opção de enviar ao consumidor um medidor feito em impressora 3D para confirmar o tamanho certo.

Esse medidor também pode ser encontrado em unidades do Inter Café em Belo Horizonte (Belvedere e Meeting Shops), em São Paulo (Ibirapuera e Itaim Bibi), em Curitiba (Arena da Baixada) e nas salas VIP Inter nos aeroportos de Guarulhos (GRU), Curitiba (CWB), Confins (CNF) e Fortaleza (FOR).

Próximos passos

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Rodrigo Gouveia, diretor-executivo do Inter, ao abrir uma porta fictícia no Inter Café no Parque do Ibirapuera em São Paulo (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)

Gouveia confirmou ainda que o Inter Wearables terá um terceiro equipamento: um relógio analógico da Acto

Atualmente uma das principais micromarcas de relógio do país, a fabricante trará uma peça totalmente manual com caixa e movimento japonês. Este equipamento está sendo preparado em colaboração com a área de inovação e hardware do Inter (IHD) há dois anos e terá dois chips de cartões, um para pagamento em dólar e outro em real. 

A expectativa é que o relógio da Acto seja lançado até a Black Friday de 2026. Tradicionalmente, os relógios da Acto estão em uma categoria de luxo e custam a partir de R$ 5 mil.      

Outra solução que deve ser lançada em breve são as pulseiras para torcedores de times de futebol. Já estão em preparação as wristbands de Atlético Mineiro, Athletico Paranaense, Fortaleza e Orlando City. 

Também está no radar inserir funções de saúde, mas isso depende dos fabricantes de wearables inserirem os sensores de saúde junto com as funções de pagamento e de acesso. 

O banco também planeja lançar os wearables para seus clientes na Argentina e Estados Unidos no segundo semestre.

Análise

O pagamento com wearables dedicados não é novidade. A Visa lançou uma experiência com pulseira e depois com relógio da Swatch nas Olimpíadas do Rio em 2016. Entre empresas de cartão, a Trigg disponibilizou por um bom tempo aos seus consumidores na mesma época. Mas essas experiências não avançaram e foram ultrapassadas pelas carteiras nos celulares e cartões de plástico com NFC.

Para efeito de comparação, o pagamento por aproximação representa 75% de todas as transações presenciais no primeiro trimestre de 2026, um salto de 66,8 pontos percentuais em cinco anos, segundo a Abecs. Em um ano, o aumento foi de 5,2 p.p. Em transações, o pagamento com NFC chegou a R$ 504,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, incremento de 19,3%, na comparação com o mesmo período de 2025, quando chegou a R$ 423 bilhões. 

Durante conversa com Mobile Time na manhã desta terça-feira, os executivos do Inter explicaram que os wearables não avançaram nos pagamentos por alguns fatores:

  • O parque de maquininhas para aceitar pagamentos em NFC não era tão vasto;
  • As pulseiras eram desconfortáveis, grandes e não focavam em estilo de vida, ou seja, a inserção do wearable como parte do cotidiano do consumidor;
  • E esses vestíveis usavam apenas um único cartão fixo e não eram tokenizadas.

Agora, seja em pulseira, relógio ou anel, o Inter trabalhou com:

  • O design pensado como um acessório de moda diário;
  • O NFC está mais maduro com os comerciantes e consumidores já sabendo as regras de uso do contactless;
  • E as transações passam a ter cartão tokenizado.

Mas o principal salto está na inclusão de camadas de segurança, acesso e criação de um ecossistema indo além dos pagamentos. Além do 3FA, o usuário pode gerir a vida do vestível pelo app do banco e cancelar o device quando quiser. 

Em acesso e ecossistema, Gouveia disse que a ideia é entregar um ecossistema completo a partir da API aberta. Isso passa por construir parcerias, como os clubes para permitir acesso ao estádio em dia de jogo, mas também em casas de shows, hotéis, salas VIP e até carros. O executivo confirmou que o Inter fez um primeiro teste com uma montadora chinesa para testar o uso dos wearables para a abertura do carro, como uma chave. 

Em paralelo, o banco estuda ainda colocar o contactless em mais vestíveis que estão no dia a dia, como chinelo e camisas de clube.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA