Danilo Mansano, diretor geral da 99 Food, defende o modelo chinês

A adoção do modelo chinês de e-commerce foi um dos principais temas de debate durante a live promovida por Mobile Time nesta quinta-feira, 4, “Entrega em casa: a explosão de demanda em apps de delivery na quarentena”. Os líderes das empresas 99Food, Rappi e Delivery Center comentaram sobre as diferenças entre o Brasil e a China e as lições que podem ser trazidas do mercado oriental.

Para Danilo Mansano, diretor do 99Food, é possível replicar o modelo chinês no Brasil, uma vez que o mercado nacional passará por “uma nova realidade” no arrefecimento da crise pandêmica: “O mercado chinês transaciona de 30 a 35 milhões de entregas por dia. Nós (empresas de delivery brasileiras) fazemos isso em um mês. Lá é um mercado super dinâmico onde aprendemos muito. O novo coronavírus forçará muita coisa, teremos uma nova realidade por aqui”.

Na visão do diretor da empresa de delivery da DiDi, existe a possibilidade de mudança de cultura. Para isso, ele cita o fato de que os chineses consomem mais comida por entrega durante a semana, na hora do almoço, enquanto que os brasileiros o fazem na hora do jantar e nos fins de semana. Se adotado esse hábito de consumo mais constante entre os brasileiros, as alterações no setor serão mais rápidas e mais benéficas para o gestor.

Co-CEO do Delivery Center, Saulo Brazil acredita que o modelo brasileiro de delivery precisa ser diferente

Por outro lado, Saulo Brazil, co-CEO do Delivery Center, acredita que o delivery brasileiro precisa encontrar o seu próprio modelo de atuação, pois o Brasil tem condições geográficas, econômicas e populacionais diferentes da China: “Nós somos um mercado tradicionalmente offline no varejo. Hoje, entre 20 a 25% é online no País. Antes do novo coronavírus o mercado online era de 6%. A China hoje é 80% e-commerce. O nosso negócio é mais de transformação (do físico para o digital)”.

Sérgio Saraiva, presidente da Rappi, vê desafios em uma eventual adoção do modelo chinês, mas enxerga um caminho “sem volta” para o consumidor brasileiro no delivery

Para Sergio Saraiva, presidente da Rappi, há fatores que diferenciam e dificultam a adoção do modelo chinês de delivery no Brasil. Além da questão cultural, de que as empresas são basicamente offline no Brasil, o gestor da Rappi apontou outro problema a ser superado: os desafios de finanças e escalabilidade no País. Em sua visão, o delivery não chega às classes sociais de menor renda por uma questão de custo. Mas espera que o desça a pirâmide socioeconômica com o passar do tempo. Outra questão que o executivo disse é que o delivery na China é usado para qualquer produto, de qualquer preço e para qualquer classe social, algo que ainda não acontece no Brasil. O terceiro desafio está em alcançar diferentes faixas etárias, dos jovens de 14 anos aos idosos. E o quarto ponto é estruturar financeiramente uma operação para depois expandir. Algo que acontece com a própria Rappi, pois a empresa chegou nas 60 principais cidades do País e quer dobrar esse número, mas precisa crescer em termos financeiros antes de escalar.

Lives

A próxima live produzida por Mobile Time será sobre a rápida transformação digital do varejo em tempos de lojas fechadas. Estão confirmadas as participações de Eduardo L’Hotellier, CEO do GetNinjas; Julia Rueff, diretora de marketplace do Mercado Livre; Marcos Marins, diretor executivo de expansão de aceitação no Brasil da Visa; e Robson Parzianello, CTO do Farmácias App.

Para compra de ingressos e mais informações, acesse a página do evento no Sympla ou fale diretamente com nossa equipe de vendas: eventos@mobiletime.com.br / 11-96619-5888 / 11-3138-4619 (WhatsApp).