No exterior, o final de ano foi bem movimentado em tecnologia e negócios. Houve fusões e aquisições lideradas por grandes players da era da inteligência artificial, como Meta, Google, NVIDIA e SoftBank. Também vale destacar a continuidade da estratégia da Telefónica em vender seus ativos na América Hispânica para focar nos seus quatro principais mercados: Alemanha, Brasil, Espanha e Reino Unido.
Meta e Manus
A Manus anunciou em 29 de dezembro que foi adquirida pela Meta e levará sua tecnologia agêntica e seu corpo de executivos para a big tech. Operando de Cingapura, a startup de IA existe desde 2023, mas o seu salto para o cenário global veio em 2025 com o lançamento de um agente de propósito geral que computou mais de 147 trilhões de tokens e criou 80 milhões de computadores virtuais. Agora, a companhia planeja escalar os seus serviços de IA de forma independente, além de incorporá-los aos produtos e serviços da Meta. O valor da compra não foi confirmado.
Alphabet e Intersect
Por sua vez, a controladora do Google resolveu avançar em outro setor que está ganhando destaque na era da IA, a energia. No último dia 22 de dezembro, a Alphabet confirmou a compra da Intersect, uma empresa especializada em data centers e soluções de infraestrutura de energia. Avaliada em US$ 4,75 bilhões em dinheiro e pagamento de dívidas, a aquisição mira trazer mais capacidade de energia e construção de data centers. Esperado para ser aprovado pelos reguladores até o final do primeiro semestre de 2026, a operação manterá a Intersect separada do Google.
SoftBank e DigitalBridge
O grupo SoftBank anunciou no dia 29 de dezembro a compra do DigitalBridge, um grupo de infraestrutura de TIC (data centers, redes de fibra e torres celulares). Com uma carteira composta por empresas como Highline, Boingo e Scala Data Centers, ela foi adquirida por US$ 4 bilhões. De acordo com a compradora, a entrada da DigitalBridge permitirá fortalecer a habilidade de seu grupo construir, escalar e financiar a estrutura fundacional para a próxima geração de aplicações e serviços baseados em IA. Após a aprovação dos reguladores, que é esperada até o final de 2026, a DigitalBridge seguirá independente e sob controle de seu CEO e fundador, Marc Ganzi.
NVIDIA e Groq
Uma empresa que fez compras de Natal neste fim de ano foi a NVIDIA. E a sua listinha de presentes tinha apenas um desejo: semicondutores. No dia 24 de dezembro, a empresa anunciou um acordo de licenciamento não exclusivo com a Groq, uma empresa de tecnologia de chipsets de inferência de IA (quando um usuário utiliza um modelo treinado para ter uma resposta ou realizar uma ação). A proposta com o acordo é que a startup ajudará a sua investidora a avançar e escalar neste tipo de tecnologia. Isso se dará a partir da chegada do fundador da Groq (Jonathan Ross) e de seu presidente (Sunny Madra). Em contrapartida, a Groq seguirá independente com Simon Edwards assumindo o papel de CEO. Os valores não foram revelados, mas um antigo investidor da startup revelou à CNBC que a NVIDIA pagou US$ 20 bilhões nesta operação.
Intel com NVIDIA
Dois dias após o acordo com Groq, a NVIDIA anunciou a compra de 214 milhões de ações da Intel. Cumprindo um acordo firmado em 15 de setembro de 2025, a investidora pagou US$ 23,28 por ação, o equivalente a US$ 5 bilhões ou 4% do total da companhia. O acordo é mais uma vitória para o novo CEO, Lip-Bu Tan, que desde sua chegada tem procurado diminuir o impacto dos resultados negativos da Intel nos últimos anos. Em agosto deste ano, uma semana após o presidente norte-americano Donald Trump pedir sua cabeça, Tan conseguiu um primeiro investimento de US$ 2 bilhões com o SoftBank.
Telefónica e sua nova velha estratégia
Em 23 de dezembro, a Telefónica fechou um acordo para vender sua operação de tecnologia (Telefónica Tech) para a hiberus na Colômbia, Chile e Peru. O grupo espanhol quer focar suas atividades nos seus principais mercados: Espanha, Reino Unido, Brasil e Alemanha. Ao mesmo tempo, a também espanhola hiberus amplia sua presença na América Latina e dá continuidade ao fornecimento de serviço e acordos trabalhista da Telefónica nesses países. Os valores não foram informados e a conclusão da operação depende da aprovação dos reguladores. Vale lembrar que a Telefónica Tech no Brasil foi repassada para a Vivo por R$ 232 milhões.
Imagem principal: Ilustração produzida por Mobile Time com IA

