Ilustração: La Mandarina Dibujos

O CPQD lançou nesta segunda-feira, 6, a SOU iD (Android, iOS), uma carteira de identidade digital descentralizada para dispositivos móveis, em blockchain. Os usuários podem armazenar credenciais emitidas por empresas e entidades que utilizam a plataforma CPQD iD, compartilhando-as com quem quiser, durante processos de onboarding e autenticação, por exemplo.

Entre as credenciais que podem ser guardadas no app, estão documentos como comprovantes digitais de residência, diplomas escolares e de cursos, contas bancárias, carteira de vacinação e histórico médico, de acordo com o Érico Paz, responsável pelo marketing de soluções blockchain do CPQD. 

A primeira versão do aplicativo está disponível inicialmente para empresas que integram o ecossistema da plataforma CPQD iD, como emissores ou verificadores de credenciais digitais. Lançada no início de 2022, a solução de identidade digital em software como serviço (SaaS) tem como funcionalidades a criação, verificação e customização de assinaturas e identidades digitais para pessoas, organizações e ativos. Com ela, é possível reutilizar identidades e registros, armazenar credenciais para diferentes serviços de empresas ou entidades, realizar autenticações seguras e sem senha. Ela também funciona como carteira digital white label para dispositivos móveis.

Ecossistema

Os emissores são responsáveis pela emissão de credenciais de identidade do usuário. Podem ser instituições ou empresas, como uma universidade, um banco, uma distribuidora de energia, uma operadora de telecom. Cada uma é responsável pelo seu processo de registro, envolvendo passos como biometria, verificação de documentos ou até comparecimento presencial. O nível de segurança é definido pelo emissor. Com o registro, cria-se uma credencial digital para o usuário, que pode ser armazenada com uma chave criptográfica no app. O usuário pode guardar várias credenciais na carteira, geradas por diferentes emissores.

Os verificadores são empresas ou entidades que precisam validar dados ou documentos de uma pessoa, utilizando para isso as credenciais emitidas. O usuário poderia, por exemplo, compartilhar sua credencial da distribuidora de energia armazenada no app para abrir uma conta em banco, em vez de enviar um comprovante de residência. Os verificadores pagam por essa consulta, cuja receita é dividida entre emissores e pelo CPQD, que fica responsável pela governança do ecossistema, selecionando emissores e validando os verificadores.

Segundo Fernando Marino, responsável técnico por produtos blockchain do CPQD, o uso do app será ampliado para outras carteiras, futuramente. O CPQD pretende promover a construção de um ecossistema de carteiras de identidade digital descentralizada no Brasil, envolvendo emissores de credenciais, verificadores, cidadãos e entes de governança. Além da SOU iD, outras carteiras digitais poderão fazer parte, mas elas precisarão ter interoperabilidade, sendo possível portar credenciais de uma para outra.