A startup de pagamentos móveis PicPay (Android, iOS) espera movimentar R$ 10 bilhões em transações de seus usuários ao longo dos próximos 12 meses. Isso representará um crescimento de mais de três vezes em comparação com o volume projetado para o ano de 2018, que é de R$ 3 bilhões, informa seu CEO, Anderson Chamon, em entrevista para Mobile Time. De janeiro a agosto deste ano, o crescimento do volume transacionado por mês cresceu 400%, diz o executivo.

No ano passado, a PicPay adotou uma estratégia agressiva de aquisição de usuários, incluindo campanhas de marketing com influenciadores digitais para promover seu serviço. Agora, com 9 milhões de usuários cadastrados, seu foco é outro: aprimorar o produto para garantir a retenção dos clientes e aumentar sua frequência de uso. Para alcançar esse objetivo, tem investido em uma série de parcerias para adicionar pagamentos recorrentes dentro do app, como recarga do bilhete único e pagamento de estacionamentos de shoppings.

Ao mesmo tempo, a PicPay tem adotado inteligência artificial e técnicas de aprendizado de máquina para melhorar a experiência dos seus usuários. A ideia é monitorar o comportamento de uso de cada cliente para tentar adivinhar o que ele quer pagar quando abre o app. Se estiver dentro de um shopping, por exemplo, há grande chance de querer pagar o estacionamento. Se estiver dentro de uma loja que aceita PicPay, provavelmente quer fazer uma compra nela. Hoje a empresa conta com cinco cientistas de dados, mas quer contratar mais 15 até meados do ano que vem para trabalharem nisso.

A nova estratégia tem gerado bons resultados. Em um ano, a quantidade média de transações por usuário por mês n PicPay triplicou, passando de três para nove. E a taxa de retenção melhorou 80%.

A PicPay funciona como uma carteira digital, com um saldo próprio, mas também pode ser associada a um cartão de crédito. Usuários podem transferir dinheiro entre si sem custos. E estabelecimentos comerciais podem receber pagamentos via PicPay, mas arcam com uma taxa que varia de acordo com o prazo com desejam receber o valor. Os usuários são identificados por QR codes.

Concorrência

Chamon reconhece que a concorrência no segmento de pagamentos móveis vem crescendo no Brasil. Mercado Livre e Rappi lançaram soluções de pagamentos com QR code esta semana, por exemplo. Mas o executivo argumenta que o principal diferencial da PicPay é seu foco estrito em pagamentos. “Nosso diferencial é o fato de pagamento ser o nosso core business. Não temos nenhum serviço acessório. Queremos ajudar a vida das pessoas em transacionar e armazenar dinheiro”, diz.

A preocupação é maior, contudo, em relação à entrada de players internacionais de pagamentos móveis, especialmente serviços vinculados a apps de mensageria, como WhatsApp. “Se o WhatsApp entrar seria uma ameaça. Pensamos nisso todo dia. Já planejamos os movimentos que faremos para nos proteger se eles entrarem, mas não posso adiantar”, comenta Chamon.

Uma das estratégias de proteção, obviamente, consiste no crescimento e na fidelização da base. Se o PicPay conseguir construir uma grande massa de clientes com uso recorrente e realizando transferências entre si, construirá um escudo protetor contra novos entrantes nesse mercado.

MobiShop

Os desafios para o desenvolvimento do comércio móvel e dos pagamentos móveis no Brasil serão discutidos no seminário MobiShop, organizado por Mobile Time, na próxima segunda-feira, 10, no WTC, em São Paulo, com palestras de executivos do Banco Central, Cielo, Dafiti, iFood, Ingresso.com, Farmácias App, Pontomobi, Samsung, Visa, Itaú, Worldpay, dentre outras empresas. Mais informações estão disponíveis no site www.mobishop.com.br, ou pelo telefone 11-3138-4619, ou pelo email eventos@mobiletime.com.br.