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Vice-presidente executivo de segurança da Mastercard, Johan Gerber (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)

O desenvolvimento do Real Digital no Brasil deve ser pragmático, feito passo a passo, e seus primeiros casos de uso surgirão apenas dentro de dois a três anos. Essa visão foi compartilhada por Johan Gerber, vice-presidente de segurança da Mastercard, durante o Febraban Tech nesta quarta-feira, 10.

Por sua vez, Driss Temsamani, head de digital do Citi, acredita que demorará até cinco anos para vermos os primeiros use cases com CBDC brasileiro, algo que acontecerá apenas após a infraestrutura do setor bancário se adaptar à nova realidade das moedas digitais criadas pelo regulador.

Gerber explicou acredita ainda que esses casos de uso com o Real Digital devem ser construídos com base em “necessidades do brasileiro” e mirar os grandes problemas. Por sua vez, Temsamani lembra que dos mais de 100 países estudando a adoção de CBDC hoje, o trabalho é feito em conjunto entre banco e regulador, mas acredita que os casos de uso surgirão do setor privado.

Entre casos que podem surgir com o Real Digital, os executivos citaram pagamento programáveis, como aluguéis e prestações de veículos.

Lição de casa em mandarim

Já Ron Raffensperger, CTO da divisão de enterprise da Huawei, deu como exemplo evoluções da CBDC chinesa, o Yuan Digital, que foi lançada em abril deste ano após ser testada nos Jogos Olímpicos de Pequim em fevereiro. Um dos ensinamentos é a interoperabilidade com outros países, que, no caso chinês, são Cingapura e Tailândia.

Outro ponto é a necessidade de segurança e privacidade by design, mas também afirmou que é preciso fazer um trabalho junto às carteiras digitais para dar mais confiança ao consumidor. Explicou que, neste quesito, o governo local e as empresas de finanças começam a estudar o uso de hardwallets, um dispositivo eletrônico similar a um pendrive que é usado para transportar ativos digitais.