A emissora de cartões Visa, em parceria com o Banco do Brasil (BB), fez a primeira transação com agente de inteligência artificial no país. A operação ocorreu dentro da sua plataforma Visa Intelligent Commerce (VIC) na quarta-feira, 11, em um ambiente controlado. Para o processo, um cartão da bandeira, emitido pelo BB, foi habilitado para que a IA fizesse o pagamento no nome do portador, que ocorreu como esperado. 

Segundo o diretor executivo de soluções para pagamentos digitais da Visa, Leandro Garcia, no momento, os testes terão como propósito entender a usabilidade da solução e evitar possíveis erros sistêmicos, como alucinações. 

Hoje, a solução está em testes no Brasil, Estados Unidos e alguns países da Europa. Por aqui, a ideia é preparar o sistema para a chegada massiva de agentes globais, sem excluir os pequenos e-commerces. O diretor explica que a ideia é que o agente de inteligência artificial faça uma ampla varredura na internet, indo além dos resultados apresentados por buscadores.

Funcionamento do VIC

Para habilitar o agente de IA no Visa Intelligent Commerce, o usuário precisa cadastrar seus dados pessoais e financeiros. Na sequência, ele é direcionado para o aplicativo do emissor e confirma que está fazendo essa solicitação. Vale lembrar que mesmo habilitada, a IA não pode agir por conta própria, portanto, a cada nova solicitação de compra, o cliente precisa confirmar sua identidade por biometria facial ou digital.

Dentro do VIC, o número do cartão não é compartilhado, mas substituído por um token de 16 dígitos, o qual é exclusivo para uso da IA responsável pela operação financeira. Durante o processamento de pagamento, a Visa gera novos dígitos — os criptogramas —, que substituem os 16 números anteriores, inserindo dados únicos, como dia, hora e valor da compra. De acordo com Garcia, o processo de tokenização já ocorre em 70% das transações processadas pela emissora no Brasil.

O objetivo da emissora de cartões é oferecer um comércio agêntico que vá além do processo de compra em si, habilitando agentes para busca e comparação de preços para o usuário.

Para o futuro

No entender de Garcia, mais à frente, será possível permitir que a IA tenha acesso ao histórico de compras do cliente. A partir disso, ela poderá oferecer uma experiência mais personalizada, levando em consideração as preferências reais daquele usuário, sem questioná-las.

Enquanto isso não ocorre, a Visa quer testar todas as funções do VIC e incentivar que emissores se adequem à solução. A empresa também deseja expandir a plataforma, por meio de auxílio a novos parceiros no desenvolvimento de seus próprios agentes ou na implementação do VIC dentro das inteligências artificiais que o cliente utiliza.

Sobre disponibilizar a novidade ao mercado, o diretor da Visa afirma que há a possibilidade de isso ocorrer para o segundo semestre deste ano. “Tudo vai depender do andar da carruagem dos nossos testes”, disse. 

Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

*********************************

Receba gratuitamente a newsletter do Mobile Time e fique bem informado sobre tecnologia móvel e negócios. Cadastre-se aqui!

E siga o canal do Mobile Time no WhatsApp!