A startup brasileira de inteligência artificial Jabuti AGI projeta que até o final do ano a sua tecnologia estará por trás de mais de 500 mil atendimentos por dia no Brasil. A ideia é triplicar a quantidade atual, que gira em torno de 180 mil atendimentos por dia e está concentrada no Banco BV, seu primeiro grande cliente, revela o fundador da startup, Cecílio Fraguas, em conversa com Mobile Time.
O crescimento virá da adoção da sua tecnologia por outros dois clientes de grande porte que somam juntos mais de 15 milhões de consumidores.
A Jabuti prevê um faturamento de R$ 25 milhões este ano e recebeu há poucas semanas um aporte de R$ 2,1 milhões da gestora DOMO.VC.
Depois desse aporte, a Jabuti avalia estruturar uma rodada maior de investimento. “O produto tem potencial para ser global, pois não tem barreira de língua”, comenta Fraguas.
Jabuti: diferencial na segurança
A solução de IA conversacional da Jabuti começou sendo utilizada pelo Banco BV como uma prova de conceito para atendimento via WhatsApp a clientes de financiamento de veículos. Os bons resultados fizeram com que fosse expandida para diversos outros produtos do banco.

Cecílio Fraguas, fundador e CEO da Jabuti AGI (Crédito: divulgação)
A experiência prévia de 25 anos de Fraguas com integração de sistemas no setor financeiro lhe permitiu desenvolver uma solução de atendimento por IA que prima pela segurança. Um dos seus diferenciais é construir uma espécie de gêmeo digital de cada cliente, com base no seu histórico de relacionamento com a empresa e seu comportamento durante as conversas.
O primeiro passo consiste em autenticar aquele cliente com métodos tradicionais, como envio de um token e análise de documentos ou outros dados fornecidos pelo consumidor. Uma vez devidamente identificada a pessoa, a solução começa a construir o gêmeo digital, com base no seu comportamento de uso e histórico de relacionamento.
“Tudo o que eu aprendo sobre a pessoa penduramos nesse objeto, que é dinâmico. Se o consumidor agir de forma diferente do seu habitual, podemos solicitar uma autenticação extra”, explica Fraguas, em conversa com Mobile Time.
A solução sabe também os produtos que o cliente tem com o banco. “Se a pessoa não tem cartão e pede os dados do cartão, é porque tem algo de errado”, exemplifica.
Memória infinita e hiperpersonalização
Outro diferencial é que a solução da Jabuti memoriza todo o histórico de conversação, em uma “memória infinita”.
“A gente não guarda a conversa inteira, mas sumariza. Dividimos em três tipos de memória: 1) essenciais (coisas que não mudam, como CPF, nome completo, contratos etc); 2) de curto prazo (conversas recentes); 3) de médio ou longo prazo (conversas mais antigas são resumidas).
A construção do gêmeo digital de cada cliente aliada à memória infinita dão à solução da Jabuti AGI outra vantagem: a possibilidade de hiperpersonalização no atendimento, destaca Fraguas.
A startup utiliza nove diferentes modelos de IA. Para reasoning, atualmente usa a Anthropic. Pelo custo, o executivo reconhece que se se trata de uma solução por enquanto restrita a grandes empresas, como os bancos. “Bot com token custa muito mais caro que bot de árvore de decisão”, compara.
A ilustração no alto foi produzida por Mobile Time com IA


