O CDO da Ri Happy (iOS), Paulo Farroco, afirmou que a loja física está virando mais que um ponto de venda, em uma estratégia rumo ao omnichannel. Durante o VTEX Day, evento organizado pela plataforma de e-commerce em São Paulo nesta sexta-feira, 17, o executivo afirmou que os espaços comerciais estão se tornando também hub de logística e entretenimento.
No caso da varejista de brinquedos, as lojas estão sendo usadas como centro de entretenimento com serviços de salão de festa, brinquedoteca (pay to play), aluguel de carros de controle remoto em shoppings, assim como eventos de comunidades todas as sextas-feiras, como colecionadores de carro e ludoteca.
Os dias de eventos de comunidades aumentam em até 40% o fluxo de visitantes nas lojas, também gerando aumento de receita em comparação com dias normais. Em 2025, a companhia registrou 14 mil eventos do gênero.
Em logística, a companhia oferece entrega ultrarrápida com 99, iFood e Rappi em até três horas no raio de 20 quilômetros da loja e em até uma hora se o destino estiver a 5 quilômetros. Também afirmou que plataformas de e-commerce procuraram a Ri Happy para ser ponto de retirada física de produtos, algo que é visto como uma forma de atrair mais consumidores.
‘Se não sou parceiro, sou competidor’
A avaliação de Farroco foi apresentada em um painel que debateu o impacto dos e-commerces asiáticos no Brasil. Para o CDO da varejista de brinquedos, os players como AliExpress e Shopee não são uma ameaça direta, mas parceiros comerciais devido ao “grande fluxo de usuários” – similar a um grande shopping center.
Por outro lado, Edson García, CEO da Lojas Marisa (Android, iOS), não é tão amistoso com os comércios do oriente. O executivo reconhece a força desses players em tecnologia, uso de dados e oferta agressiva com cupons e live commerce. Mas declara que a concorrência é direta: “Se não sou parceiro, sou competidor”.
Nessa dinâmica, a varejista fundada em 1948 mudou sua estratégia para disputar com forças como Shein. Passou a atuar com mais força no digital, renegociou contratos, passou a usar precificação dinâmica e oferece frete grátis apenas em compras a partir de R$ 200.
Mirando nas classes B e C, a Lojas Marisa ainda utiliza sua força de lojas de rua para oferecer os produtos com o mesmo preço dos rivais asiáticos, mas com a possibilidade de provar, tocar e trocar o produto na hora. Assim como ter a relação da marca com seu consumidor (majoritariamente mulheres) em uma “loja com alma” com bom atendimento, climatizada com ar-condicionado, opções de crédito (parcelamento em cinco vezes sem juros) e entendendo as diferentes demandas por regiões.
China, quanto mais, melhor

De roupa clara no telão, Leonardo Zimberknopf, diretor de e-commerce na Mondelez (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)
Com outra ótica de mercado, de uma indústria de alimentos, Leonardo Zimberknopf, diretor de e-commerce na Mondelez, acredita que a entrada dos e-commerces asiáticos no Brasil traz grandes oportunidades. Em especial na era da inteligência artificial.
Em sua visão, as plataformas chinesas estão mais preparadas para as compras com agentes de IA. Exemplificou com uma pesquisa interna feita em sua companhia que mostrou, ao usar plataformas de IA para buscar produtos, que os principais resultados são de comércios asiáticos.
Zimberknopf também acredita que a velocidade de entrega dessas plataformas beneficia diretamente a Mondelez, que atua muito com compras por impulso, em especial nos seus produtos icônicos, como o bombom ‘Sonho de Valsa’ e ‘Bis’.
Com isso, o executivo afirmou que a marca alimentícia “busca aprender” com as plataformas da Ásia. Deu como exemplo a agilidade que esses players têm para testar milhares de produtos diariamente, ao inserir e tirar insumos do mercado com rapidez e baseado em dados.
Imagem principal: Edson García, CEO das Lojas Marisa (de bege) e Paulo Farroco, CDO da Ri Happy (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)

