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Maia Mau, head de marketing em Android na América Latina, durante evento de comemoração de 10 anos do Android no Brasil, em 2019

A maioria (80%) dos desenvolvedores brasileiros trabalham com Android. De acordo com a análise da Bain & Company encomendada pelo Google e divulgada nesta segunda-feira, 21, 78% iniciaram a jornada de trabalho pelo Android, 73% consideram o sistema operacional (OS) como a plataforma principal e 66% dedicam tempo à criação de app para Android. Ao todo, 844 pessoas foram entrevistadas na pesquisa sobre os profissionais e a carreira em apps, entre os meses de fevereiro e abril deste ano. Para a análise, 83% dos desenvolvedores disseram que trabalham com o OS do Google por ser um ecossistema aberto.

“A importância do Android deixa-nos mais confiantes. Olhamos o tamanho do ecossistema de desenvolvedores e percebemos que crescemos juntos com esses profissionais, lado a lado. Nós pudemos ver o crescimento dessa nova força de trabalho”, afirmou Maia Mau, head de marketing Android para América Latina no Google.

A pesquisa comparou a percepção dos desenvolvedores em relação ao Android e ao iOS no que diz respeito a diversos atributos. A proporção de desenvolvedores que concordam completamente de que o Android dispõe de ferramentas open source para o desenvolvimento de apps é 12,3 pontos percentuais superior àquela de desenvolvedores que dizem o mesmo sobre o iOS. A diferença também é a favor do Android quanto aos seguintes atributos: possibilidade de publicar versões alfa ou beta do apps (+8,2 pps); requerimento de baixo investimento e hardware simples para desenvolver e publicar apps (+7,1 pps); disponibilidade de um ecossistema “rico e repleto de recursos”(+6,8 pps). Por outro lado, em alguns atributos, a proporção que concorda completamente em relação ao Android foi menor que aquela sobre o iOS: é um local seguro para distribuir os apps (-8,6 p.p); é um ambiente que empodera a empresa de desenvolvimento (-3.5 p.p); e traz retorno financeiro (-1,8 p.p).

“A pesquisa serve para entender o impacto e as oportunidades que temos para trabalhar”, afirmou Mau. “Nós (Google) olhamos para o pós na publicação de apps, a Apple olha para o pré. Hoje, nos preocupamos com a segurança do usuário na loja e fazemos remoção na loja, quando necessário. Mas estamos ouvindo os profissionais sobre isso. E acreditamos que somos justos na remuneração dos desenvolvedores”, argumenta.

Gênero

Entre os desenvolvedores de apps Android, 69% são homens e 29% são mulheres. Sobre essa disparidade de apenas um terço dos profissionais serem mulheres, a executiva do Google acredita que se comparar com o passado é uma evolução. Devagar e lento, mas é um passo à frente. A executiva ressaltou a importância de fazer e divulgar essa pesquisa para mostrar às mulheres que há espaço para elas nessa área e que a carreira é sólida, com oportunidades de trabalho e bons salários.

Região e idade  

65% dos profissionais estão na região sudeste; 12%, no nordeste; 52% têm superior completo; 36%, superior incompleto. A classe socioeconômica A é a que tem menos desenvolvedores (4%), seguida pela classe B (19%), classe D (24%), classe C (42%) e classe E (11%). O estudo revela ainda que 60% dos desenvolvedores têm menos de 30 anos de idade.

Fernanda Batista, gerente sênior da Bain & Company, explicou em conversa com Mobile Time nesta manhã que o resultado da pesquisa mostra que a carreira em desenvolvimento mobile traz oportunidades às camadas mais pobres na sociedade brasileira, como os profissionais que não possuem formação superior completa. Além disso, a responsável pela pesquisa afirmou que 30% dos profissionais desse setor vêm de outras áreas.

Carreira

No estudo, os profissionais iniciantes – com menos de um ano na área – responderam que têm um salário médio mensal de R$ 2,7 mil; de um a dois anos de experiência, o salário aumenta para R$ 3,2 mil; de dois a cinco anos, R$ 4,7 mil; de seis a 10 anos, R$ 7,7 mil; e, acima de 10 anos, R$ 11,7 mil. Sobre o tempo de serviço, 75% dos desenvolvedores trabalham há menos de cinco anos na área; 35% têm dois anos de experiência e mudaram de empresa. Esse percentual sobe para 50% quando considera os profissionais com mais de cinco anos na área.

“Essa é uma área nova que acompanha o avanço da conectividade, que saltou de 40% para 70%, entre 2010 e 2018 (de acordo com a pesquisa TIC Domicílios, realizada pelo Cetic)”, disse Mau. “Essa constante mudança de serviço me parece ser consequência de uma mudança da sociedade. Ainda é preciso lembrar que é uma área muito jovem. E há uma alta demanda, o que é positivo, pois um bom profissional é bem procurado. Mas claramente é um problema para as empresas”.

CLT x autônomos

Quanto ao regime de trabalho, 35% dos entrevistados estão em regime CLT; 23% são autônomos; 19%, estudantes; 7%,  estagiários; e 5% estão desempregados. Dos entrevistados, mais da metade (52%) são engenheiros ou desenvolvedores de código; 20%, designers de apps; 9% fazem apps por hobby; 5% são supervisores; e 4%, executivos de empresa de apps.

Sobre a possibilidade de a carreira ficar “uberizada”, uma vez que ao menos 54% não trabalham como celetistas, a executiva não acredita que isso seja negativo para os profissionais: “Não é algo ruim. É uma forma diferente de trabalho. Eles estão felizes com a carreira. Isso só mostra uma forma nova de trabalho”.