A Ericsson estima que os primeiros handsets com conectividade 6G devem chegar entre três e quatro anos e serão acompanhados pelos primeiros serviços comerciais oferecidos pelas operadoras. De acordo com o Ericsson Mobility Report, a companhia prevê que a sexta geração das redes celulares terá 180 milhões de assinaturas em 2031.
O diretor de soluções de rede da fornecedora para o Cone Sul da América Latina, Paulo Bernardocki, explicou que, para o 6G ser bem-sucedido, a quinta geração precisa de uma base robusta, como aconteceu na migração do 4G para o 5G. Mas isso não está acontecendo atualmente.
A principal preocupação da fornecedora é a lentidão na adoção do 5G standalone (SA).
Importante lembrar, o 5G tem três padrões:
- Dynamic Spectrum Sharing (DSS) – usado no começo como uma primeira experimentação do 5G, mas sua base era o LTE;
- 5G non-standalone (NSA) – o mais usado hoje, um padrão que entrega as altas taxas de velocidade de acesso (Gbps), mas não oferece a diversidade de funcionalidades do 5G puro;
- 5G SA – o mais avançado, traz a velocidade e todas as capacidades tecnológicas da quinta geração.
Uma vez adotado, o padrão standalone pode habilitar network slicing, antenas com Massive MIMO e consistência de menor latência e maior taxa de uplink (envio de dados) em novas tecnologias e dispositivos, como smartphones dobráveis, smartphones USRP (com tráfego dedicado para aplicações via network slicing), óculos em realidade estendida e aplicações com inteligência artificial.
Entre o 5G e o 6G, o standalone

Dispositivos e aplicações que devem puxar o crescimento até o 6G (divulgação)
Mas como a adoção do SA está lenta, o horizonte apresenta desafios para as arquiteturas de redes, aplicações e devices que serão a base para o 6G. O primeiro desafio é o tráfego de rede que é 80% concentrado em downlink (download de dados) com vídeos e redes sociais. Porém, a evolução para esses novos form factors (que produzem muito conteúdo pelo usuário na ponta) trarão estresse às redes das operadoras com um aumento de tráfego de uplink até cinco vezes do atual em 2031.
Por isso, o diretor reforçou que é necessária a implementação do SA e do fatiamento de rede. Um exemplo bem-sucedido foi o caso do SoftBank na corrida de F1 no Japão. A operadora japonesa usou cinco slicings: usuários, realidade estendida, máquinas de pagamento; conexão em mmWave para usuários nas áreas VIPs; câmeras de vídeo.
Atendendo a um total de 315 mil consumidores durante o fim de semana em 2025, a companhia registrou 41 vezes aumento de downlink e 14,6 vezes de incremento no uplink, ante o evento em 2024.
SA no Brasil

Caso de uso de network slicing do Softbank com a Ericsson (divulgação)
Das 6,4 bilhões de conexões 5G previstas para 2031, apenas 3,9 bilhões serão SA, disse Bernardocki. Na América Latina, o ritmo de adoção do SA deve ser mais lento que a média global.
“Sabemos que a implementação do Standalone na América Latina, e em particular no Brasil, ainda vai bastante devagar. Esse é um ponto de atenção para os operadores”, disse.
Um primeiro movimento em prol da adoção do SA no Brasil é a utilização de frequências baixas que antes estavam em 4G e começam a migrar para o 5G. Bernardocki explicou que isso permite às telcos efetuarem a oferta exclusiva do fatiamento de rede com mais dinâmica.
“Naturalmente, existe uma inércia hoje. Mas o que que vai acontecer? A operadora que se adiantar e começar a trazer esses serviços mais rapidamente leva uma vantagem comercial. Então, essa corrida para a migração do Standalone começa agora. Os ingredientes estão prontos. Agora é o momento de ver esse crescimento com o SA. Temos tudo aquilo que é necessário para fazer o network slicing de uma maneira adequada”, afirmou.
Com a parte técnica resolvida, o diretor da Ericsson afirmou que as operadoras devem começar a testar e explorar as capacidades das redes, em especial pelos ciclos de produção estarem cada vez mais curtos: “Historicamente, as redes de telecom foram construídas para serem indestrutíveis. Então, acho que é a hora de o pessoal experimentar um pouco”, disse. Para Bernardocki, o setor como um todo precisa ser mais ágil no lançamento de produtos na transformação organizacional.

