O SUS registrou 4 milhões de atendimentos de telessaúde em 44% dos municípios do Brasil entre 2024 e 2025, considerando apenas unidades municipais de saúde. A informação foi compartilhada pela secretária de informações e saúde digital do Ministério da Saúde (Sedigi-MS), Ana Estela Haddad, durante o DPO Day, evento organizado pela DPO Net em São Paulo, nesta quarta-feira, 28.
Por região, esses atendimentos abrangeram:
- 55% da região norte;
- 51% do nordeste;
- 58% do centro-oeste;
- 45% do sudeste
- 39% do sul.
Haddad reforçou que os atendimentos permitem priorizar áreas com vazios assistenciais e levar a telessaúde a esses locais, uma vez que um transporte fluvial em uma situação emergencial chega a custar R$ 80 mil. É o caso do Quilombo Boa Vista, próximo à cidade de Oriximiná, a 923 quilômetros de Belém/PA. Pelo rio são três dias de viagem.
De acordo com a secretária, 55 teleinterconsultas (troca de informações e opiniões entre médicos ou profissionais de saúde por meio de tecnologias digitais) foram feitas entre 2024 e 2025 para esta população quilombola. Na prática isso significa:
- 110 deslocamentos evitados para esses 55 pacientes;
- 101,5 mil quilômetros do Quilombola para Belém poupados;
- 1,1 mil quilos de emissão de CO² ou 2,2 mil quilos de CO² (ida e volta) evitados, o equivalente a 13,5 mil árvores plantadas, e redução de custos para o SUS.
“A redução de custo aproximada para esse conjunto de 55 teleinterconsultas é de R$ 111 mil aproximadamente. Portanto, vejam que um quantitativo pequeno tem um impacto bastante grande, principalmente quando falamos da região norte”, disse a secretária do Sedigi.
Estratégia de digitalização

Secretária do Sedigi, Ana Estela Haddad, e a importância da telessaúde para o SUS (crédito: Henrique Medeiros/Mobile Time)
A representante da pasta afirmou que o teleatendimento vem sendo expandido e integrado ao ecossistema digital desde 2023, quando a estratégia dessa plataforma mudou de ser um serviço para procedimentos isolados para ser parte de um ecossistema amplo e integrado de transformação digital na saúde.
Essa mudança foi construída a partir da portaria 3691 do Ministério da Saúde que instituiu a ‘Ação Estratégia SUS Digital – Telessaúde’. Isso inclui principalmente a possibilidade de a telessaúde ser interoperável e garantir a continuidade do atendimento do cidadão em canais físicos entre digital e físico. Isto foi feito a partir da definição de categorias e parâmetros para o uso da telessaúde no SUS. São eles:
- Teleconsultoria (síncrona e assíncrona);
- Teletriagem;
- Teleconsulta;
- Telediagnóstico;
- Telemonitoramento;
- Teleorientação;
- Teleinterconsulta;
- Teleducação;
- Telerregulação (uso de tecnologias para gerenciar, organizar e priorizar, à distância, o acesso de pacientes a consultas especializadas, exames e leitos hospitalares no SUS);
- Segunda opinião formativa.
Todo esse arcabouço faz parte da Rede Brasileira de Telessaúde, uma gama de Núcleos de Telessaúde (NTS) formados por institutos de referência e universidades públicas que auxiliam no atendimento à distância do sistema universal de saúde. Tal rede saltou de 12 NTS em 10 estados, em 2023, para 27 NTS em 16 estados com o apoio de um edital para efetuar sua expansão.
Até o final de 2026, a expectativa é que 63 institutos de saúde serão adicionados à Rede de Telessaúde e com isso será atingida a totalidade dos estados brasileiros.
Redução da fila do SUS
Haddad também explicou que o fato de avançar com telemedicina permite reduzir a fila do SUS. É o caso do atendimento à distância de dermatologia que, combinada à telerregulação, ao telediagnóstico e à segunda opinião formativa, resolveu 42% dos casos de 106 mil lesões na atenção básica.
Feito com a Universidade Federal de Santa Catarina, o serviço de telediagnóstico em dermatologia junto ao complexo de regulação (sistema que regula a fila de espera da atenção primária para a atenção especializada) permite ao especialista olhar o laudo, observar o caso e definir se precisa de atendimento mais avançado ou pode ser resolvido na atenção básica.
“Isso reduz o tempo de espera, melhora o atendimento e organiza a fila, porque tem casos mais urgentes que precisam ser atendidos primeiro, independentemente da ordem de chegada. Por exemplo, em uma suspeita de lesão maligna, aquele caso vai ser priorizado”, relata a secretária do Sedigi. “Tem muita coisa que você pode desonerar o serviço presencial e oferecer de forma remota, desde que estabeleça protocolos, como estamos fazendo”, completou.
Haddad ainda confirmou que estão preparando protocolos para os teleatendimentos diferentes daqueles usados em protocolos clínicos no atendimento presencial.

