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Loja da Xiaomi no Shopping Ibirapuera em sua inauguração em 2019

A operação brasileira da Xiaomi tem uma maior receita com devices de Internet das Coisas (IoT) do que com os celulares. De acordo com Luciano Barbosa, head da operação Xiaomi/DL no Brasil, o aumento foi puxado pelo desenvolvimento dessa vertical durante a pandemia do novo coronavírus, algo que adiantou ao Mobile Time em junho passado.

Atualmente, a receita de vendas está próxima de 53% para IoT e 47% para handsets. Barbosa disse que isso não significa uma redução nas vendas de celulares, mas um aumento na outra vertical. Ao todo, a companhia oferece ao consumidor brasileiro mais de 350 produtos variados, entre dispositivos conectados e outros “analógicos”, como mochilas e guarda-chuvas, sendo que 50 deles foram incluídos no portfólio no primeiro semestre de 2020, ritmo que o executivo pretende manter até o final do ano.

“Queremos disponibilizar mais produtos para o consumidor brasileiro. A cifra dos milhares de produtos que a Xiaomi tem na China ainda é distante, pois demanda homologação e estudo. Mas mais uma centena de produtos nós podemos conseguir”, disse Barbosa. “Eu diria que pelo menos 400 produtos no portfólio teremos até o final do ano”.

Para chegar ao número, a companhia mantém um ritmo de lançamentos semanais. Importante dizer que isso difere dos eventos de apresentação de produtos, quando a Xiaomi apresenta esporadicamente os dispositivos e celulares para a imprensa e para o grande público.

Lançamentos

Por meio de conferência online nesta quarta-feira, 29, a Xiaomi trouxe seis produtos para o ecossistema: o Mi Stick TV, um dispositivo similar ao Chromecast para transformar TV normal em SmartTV que custa R$ 500; o roteador Mi Router 4A Giga Version dedicado para IoT com suporte para até 128 dispositivos conectados por R$ 400; o conjunto de seis sensores Mi Smart Sensor Set 2 com dois sensores de presença, dois sensores de abertura e um interruptor inteligente e compatível com ZiGbee, Wi-Fi, Bluetooth e Mesh por R$ 999; o fone de ouvido Mi True Wireless Earphones 2 Basic por R$ 400; e as pulseiras conectadas Smart Mi Band 5 por R$ 499 e Smart Mi Band 4c por R$ 300.

Canais

Dos canais de venda, a Xiaomi tem parceria com a Vivo, loja própria online, duas lojas em shoppings de SP, varejo de B2W e Magalu, em IoT e smartphones. Em breve, uma outra operadora também será parceira da marca, mas Barbosa não pôde revelar seu nome. A marca tinha a intenção de expandir mais lojas de rua e shopping em 2020, mas este projeto será desenvolvido com mais prudência, como explica o gestor: “O projeto segue, mas ele foi impactado pela pandemia”.

“Depende de retorno de shoppings e estabelecimentos para desenhar a expansão e como a situação vai se desenrolar para enxergarmos um novo modelo de expansão”, disse o head do projeto ao Mobile Time. “Ano passado, nós abrimos duas lojas e deu 5 mil pessoas no primeiro dia, com filas e pessoas próximas uma das outras. Isso seria impossível hoje”.

Um ano de Xiaomi

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Luciano Barbosa, head da operação Xiaomi/DL no Brasil

Barbosa também falou sobre o primeiro ano desta operação montada entre Xiaomi e DL. O executivo destacou que diferentemente da primeira vinda da marca ao Brasil, em 2015, na época capitaneada por Hugo Barra (hoje VP de realidade virtual no Facebook), a marca procurou começar com mais produtos, mais próxima do fã da marca com relacionamento nas redes sociais e com variedades para todos os públicos, como mulheres – com produtos para beleza pessoal – e para um público mais velho – na área de saúde. Além disso, o head da operação explicou que o fato de ter o apoio da DL como importador foi vital para o desenvolvimento da marca, pois a parceira conhece bem o trabalho a ser feito de distribuição e de logística no Brasil.

“Quatro anos atrás, o momento da Xiaomi era outro. A Xiaomi completou dez anos neste ano (na China) e está em 80 países. E o contato com o fã está mais fácil. Lá trás eram cinco produtos e o contato era mais difícil. Estamos pensando no longo prazo”, completou.

Fabricação

Com a crise imposta pela Covid-19, outro projeto que fica em segundo plano é a fabricação local. Barbosa disse que o projeto não foi abandonado, mas explicou que é tratado com cautela, uma vez que não há previsão neste momento de crise.