O Ministério Público do Trabalho (MPT) entrou com uma ação judicial contra a Meta na Justiça do Trabalho por manter conteúdos de assédio eleitoral em suas plataformas, o que inclui um pedido de multa de R$ 50 milhões e um alerta para brasileiros não cometerem assédio eleitoral nas redes sociais Threads, Facebook e Instagram. 

No processo divulgado nesta quinta-feira, 29, o órgão pede que a big tech retire do ar em até 24 horas as publicações de empresários que pedem ou incentivam a demissão, a exposição, a vigília ou a não contratação de profissionais que votaram e reelegeram a chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB-SP).

Esse tipo de ação corporativa fere a lei o Artigo 1º da Lei 9029/1995 que diz:

Após o término do segundo turno, o MPT recebeu 1.459 denúncias de assédio eleitoral, ou seja, algo próximo da metade do total de 3,3 mil registradas ao longo do pleito. 

MPT x Meta

O MPT chama a atenção para o fato de que parte das publicações vieram de figuras públicas, como empresários, influenciadores digitais e parlamentares, como um perfil com selo de verificado e 3,8 milhões de seguidores que publicou quatro mensagens de assédio eleitoral e somavam mais de 2 milhões de curtidas. 

Com isso, o Ministério Público aponta falta de responsabilidade da companhia, seja para diminuir o engajamento ou para fazer takedown dos conteúdos ilegais, uma vez que possuem sistemas automatizados e revisão humana. Agora, o MPT pede: 

  • A retirada dos conteúdos em 24 horas sob multa de R$ 500 mil por dia por descumprimento;
  • Publicação de aviso a todos os usuários brasileiros de que a Meta não compactua com manifestações que incentivam a discriminação, retaliação ou punição de empregados por orientação política;
  • Envio de notificação e suspensão de 30 dias dos perfis que publicaram o conteúdo, avisando que a recindência causará desativação de conta;
  • Criação de uma política permanente de prevenção ao assédio eleitoral.

Por sua vez, os R$ 50 milhões são uma indenização por danos morais coletivos.

Procurada pelo Mobile Time, a Meta informou que não comentará a ação.

Importante dizer que a big tech esteve às turras com o Executivo e a Justiça Eleitoral durante a última eleição, em especial por não dar paridade de armas em suas plataformas ao presidente reeleito e diminuir o alcance e impulsionamento de suas postagens. Como resultado, a Meta foi chamada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que exigiu atitude isonômica da big tech na disputa e correções antes do fim do segundo turno.

Por sua vez, Lula reforçou em seu discurso de vitória que houve interferência externa nas eleições por meio das plataformas digitais e enfatizou o desejo de regular as big techs no Brasil.

 

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