O mercado de Direct to Cell (D2C, o mesmo que D2D, direct-to-device) chegará a 133 milhões de usuários ativos em 2031, segundo estudo feito pela consultoria Juniper Research. A alta será graças aos lançamentos de serviços voltados ao segmento pelas novas operadoras de redes móveis (MNOs) e de satélite, a exemplo da estadunidense AST SpaceMobile.
Atualmente, o setor conta com 17,4 milhões de clientes no mundo, a maior fica na Ásia-Pacífico. Com a tecnologia, o usuário conecta diretamente o seu aparelho ao satélite, contanto que seja um dispositivo LTE e 5G. Além disso, o D2C não exige modificações ou hardware especializado para isso. Dessa forma, há a possibilidade de envio de SMS, algo bastante relevante já que o mecanismo não demanda conexão contínua.
No entanto, quando se trata de ligações, a comercialização não é tão significativa. Isso porque elas demandam níveis mais altos de cobertura e capacidade dos satélites. Drama semelhante ao do fluxo de dados. De acordo com a pesquisa, além da AST, a Starlink está buscando maneiras para oferecer o serviço básico em regiões mais remotas, mas sem o objetivo de substituir a banda larga.
Embora a previsão seja positiva, com novos serviços à disposição, o uso diário deles tende a ser abaixo do esperado. O levantamento aponta problemas estruturais para a conexão, que provocam a queda do sinal, especialmente em locais altamente povoados, onde há muitas barreiras físicas. Para Alex Webb, autor da pesquisa, o uso atual da tecnologia é concentrado em viagens e deslocamentos específicos, em locais em que a qualidade do sinal das antenas é baixa.
Sugestões para o D2C
Como solução, a consultoria incentiva que MNOs expandam conexões diretas a partir da própria rede do celular, disponibilizando acessos temporários e flexíveis para assinantes, o que tende a otimizar o acesso. Ela também destaca o potencial de receita com o roaming, recomendando que as ofertas considerem o perfil do consumidor, se ele está apenas em um parque nacional ou em deslocamento.
Outra sugestão é oferecer conexão direta à célula roaming, que ativa o sinal via satélite quando a rede terrestre não estiver operando. Um exemplo citado pela Juniper é o caso da operadora japonesa KDDI, que firmou parceria com a Starlink, e ativa a conexão via roaming em outros países, como os EUA.
Há ainda desafios técnicos e regulatórios. Isso porque o D2C precisa do espectro terrestre para funcionar e pode gerar interferências em redes já existentes. Isso tem motivado operadoras a buscarem técnicas de controle de potência e coordenação geográfica. A consultoria afirmou que, hoje, a regulamentação global do serviço ainda é fragmentada, mas tende a ganhar corpo no próximo ano, durante a Conferência Mundial de Radiocomunicações.


