O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com o CEO do Google e da Alphabet, Sundar Pichai, nesta quinta-feira, 19, na Cúpula Sobre o Impacto da Inteligência Artificial em Nova Deli, Índia. O executivo abordou no encontro a importância do Brasil para a empresa, como os investimentos feitos no Centro de Engenharia em SP. Também comentou como a IA pode contribuir para a agenda de desenvolvimento do país.
Em contrapartida, o presidente brasileiro apresentou a visão do governo sobre a IA, como ações em serviços públicos, o Redata e o PBIA. Lula relatou em seu perfil no X (antigo Twitter): “Falamos também da preocupação com os riscos da IA para meninas e mulheres, e da proposta do marco regulatório [PL 2.338/2023] em discussão no Congresso Nacional, com medidas de proteção para a indústria criativa”.
Lula ainda encontrou com o presidente francês, Emmanuel Macron, em uma agenda que tratou sobre acordos comerciais bilaterais em temas como ciência e tecnologia, além de IA.
Defesa da IA com multilateralismo e governança

Presidente Lula em discurso na Cúpula de IA na Índia (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
O presidente brasileiro fez uma defesa do multilateralismo e da governança global na inteligência artificial nesta quinta-feira, 19. Em discurso na abertura da Cúpula de IA, o mandatário afirmou que a IA vem sendo debatida pelo Congresso Nacional com o PL 2338/2023 e com o Redata, além de diálogos em encontros internacionais como:
- Organização Internacional para Cooperação de IA na China;
- Parceria Global em IA no G7.
Mas reforçou que apenas a ONU pode trazer universalidade, multilateralismo e inclusão orientada ao desenvolvimento. Exemplificou com o Pacto Digital Global e o Painel Científico Internacional Independente sobre IA das Nações Unidas, que trouxeram mecanismos importantes e reuniram especialistas, fatos e evidências.
“O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e que garanta que a IA fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”, disse Lula. Em outras palavras, ele defende um modelo similar àquele feito com a Internet.
Pontos e contrapontos na IA
O presidente brasileiro afirmou que a IA pode trazer impactos positivos para produtividade industrial, serviços públicos, medicina e segurança alimentar e energética, mas também pode fomentar práticas “extremamente nefastas”, como o emprego de armas autônomas, discurso de ódio, desinformação, pornografia infantil e feminicídios.
Lula afirmou ainda que os algoritmos de IA não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital, mas uma “parte de uma complexa estrutura de poder” e que, sem uma ação coletiva, a IA aprofundará desigualdades históricas: “Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”, discorreu. Lula defendeu novamente a regulação das big techs em sua fala.
A Cúpula sobre IA na Índia termina na próxima sexta-feira, 20. Mas o presidente brasileiro seguirá no país para agenda bilateral com o governo indiano.
Imagem principal: Presidente Lula (gravata escura) e Sundar Pichai, CEO do Google (crédito: Ricardo Stuckert/PR)

