As operadoras móveis brasileiras estão dispostas a discutir em conjunto o modelo de negócios a ser implementado no RCS para a comunicação entre marcas e consumidores, o chamado A2P(application to peer). Todas entendem que a definição de um modelo padrão é fundamental para o sucesso dessa nova tecnologia de mensageria. Há cerca de um ano, com apoio da GSMA, as operadoras brasileiras têm se reunido para debater aspectos técnicos do RCS. Agora, será criado um subgrupo para focar especificamente no modelo de negócios. A GSMA vai tentar organizar uma primeira reunião nas próximas semanas. A expectativa é ter um modelo de negócios comum definido até o final do ano.

Por enquanto, o único país no qual todas as operadoras lançaram RCS é o Japão. DoCoMo, KDDI e Softbank já têm o serviço rodando, mas por enquanto ele está restrito à comunicação entre usuários finais (P2P). O modelo de negócios para a versão A2P ainda não foi definido no Japão. Dependendo da agilidade e da colaboração entre as operadoras brasileiras, o País tem potencial para liderar a adoção do RCS no mundo, acredita Fabio Moraes, diretor da GSMA.

Ainda existem muitas dúvidas sobre como será o modelo de negócios no RCS A2P. Algumas fontes recomendam começar cobrando por mensagem, com o preço unitário caindo de acordo com o volume, por ser um modelo com o qual o mercado nacional já está acostumado, pois é assim que funciona no SMS A2P. Em uma segunda fase seria experimentado um outro modelo, mais adequado às características do RCS. Este canal, por ser multimídia, estimula uma interação maior do consumidor, propiciando sessões de conversas entre marcas e pessoas, ao contrário do SMS, que hoje é usado basicamente para notificações que não demandam respostas.

Há várias possibilidades em análise. Poderia-se cobrar por sessão, ou por usuários ativos, ou por tipo de mensagem, por exemplo. Uma das sugestões propostas seria cobrar por mensagem e, caso haja uma interação por parte do usuário, trocaria-se para uma cobrança por sessão.

Uma das dificuldades, contudo, é definir os limites de uma sessão. Quando ela começa e quando ela acaba? Seria por tempo? Por quantidade de mensagens trocadas? Ou por volume de tráfego de dados? Uma das ideias em discussão é a de trabalhar com esses três critérios simultaneamente, definindo um limite para cada um: quando o primeiro fosse atingido, passaria a ser contada uma nova sessão. Obviamente, isso seria transparente para o usuário, até porque quem paga por essa comunicação é uma marca, não o assinante da operadora. O problema, entretanto, está nos sistemas de billing das teles. Alguns são antigos e engessados, o que demandaria muito esforço e investimento para a adaptação de uma solução com essa complexidade. O melhor, acreditam algumas fontes, seria procurar uma tarifação mais simplificada.

Plataformas

Por enquanto, a única operadora brasileira a ter lançado RCS oficialmente foi a Oi, em parceria com o Google. Logo depois da notícia, que foi publicada em primeira mão por Mobile Time em janeiro, a Oi foi procurada por grandes empresas interessadas em experimentar a solução, dentre as quais alguns bancos e varejistas on-line. A Oi vai realizar nas próximas semanas as primeiras campanhas com RCS, primeiramente para promover seus próprios serviços, como a migração de pré-pagos para planos controle, conforme apresentado pela operadora no Mobile World Congress, em Barcelona. Paralelamente, a Oi quer realizar pilotos também no A2P. Seu objetivo é testar o mercado, o que deve ajudar no desenho do modelo de negócios.

O grupo América Móvil escolheu usar a plataforma do Google, o que já está sendo feito pela Telcel no México. No Brasil, contudo, ainda não foi decidido quando acontecerá a implementação.

A Telefônica, por sua vez, escolheu a Mavenir para ser sua provedora global da plataforma de RCS. Porém, a Vivo no Brasil não precisa necessariamente seguir o mesmo caminho. A operadora brasileira pretende tomar uma decisão nas próximas semanas.

A TIM e a Nextel também não definiram qual será o fornecedor de suas plataformas de RCS para o Brasil, mas pretendem adotar a tecnologia.

A expectativa é de que até o final do ano todas as grandes operadoras brasileiras tenham o RCS implementado, assim como um modelo de negócios comum definido.

Cabe lembrar que o RCS funciona em smartphones Android, mas ainda não foi integrado ao iOS da Apple. Ou seja, por enquanto não é possível trocar mensagens de RCS com usuários de iPhone. Esse público, contudo, representa uma parcela pequena da base instalada no Brasil.

Representantes das teles, da GSMA e de diversas marcas que usam SMS A2P se reuniram nesta quarta-feira, 13, em São Paulo, em um evento promovido pela Infobip.

Vale lembrar que, na próxima edição do Tela Viva Móvel, o diretor de produtos, mobilidade e conteúdo da Oi, Diogo Câmara, fará uma palestra sobre os primeiros passos do RCS no Brasil, com base na experiência pioneira da operadora. O Tela Viva Móvel acontecerá no dia 6 de maio, no WTC, em São Paulo. Mais informações sobre a agenda e venda de ingressos estão disponíveis no site www.telavivamovel.com.br, no telefone 11-3138-4619, ou pelo email eventos@mobiletime.com.br.