A OpenAI atualizou a sua experiência de compra por meio de agentes de inteligência artificial, agora mais visual e imersiva, além de inserir mais empresas no projeto nos Estados Unidos. Por meio do Agent Commerce Protocol (ACP), o ChatGPT (AndroidiOS) passa a suportar a descoberta de produtos diretamente na janela de conversação.

Ou seja, o usuário pode definir o que quer com base em pedidos mais contextualizados, como orçamento, preferência e medidas (exemplo: um sofá para uma parede de 2 metros2).

Nesta nova versão, o ACP se torna mais visual. O usuário pode subir imagens como inspiração ou para refinar a sua busca, assim como comparar produtos, preços e funcionalidade.

Pelo lado tecnológico, isso significa que o ACP passa a ter menos barreiras e uma experiência menos fragmentada para os usuários, ao mesmo tempo em que oferece mais tecnologia a consumidores com real intenção de compra para as marcas.

Disponibilidade

Começando a ser liberado nesta semana para usuários do ChatGPT Go, Plus, Pro e gratuito nos EUA, o ACP suporta plataformas de parceiros como Salesforce e Stripe, Shopify para gerar catálogo e tem uma série de varejistas integrados, tais como: Target; Sephora; Nordstrom; Lowe’s; Best Buy; The Home Depot; Wayfair.

Além disso, a Walmart está lançando um app interno no ChatGPT (in-ChatGPT app, no original em inglês) com toda a experiência da varejista na plataforma de IA generativa, como suporte a registro de conta, programa de benefícios e sistema de pagamento. Voltado ao mercado norte-americano, o in-app do Walmart está liberado para a versão web do ChatGPT e depois chegará no iOS e Android.

Análise – protocolo, protocolo, protocolo

Cada protocolo agêntico atualmente é um Tom Hanks em uma ilha: só conversa com o Wilson, o “agente” que mora na mesma ilha. Mas se quero conversar com outro Wilson em outra ilha, como faço? Hoje não tem como. O protocolo do Google não conversa com o da OpenAI, que não fala com o da Mastercard, que não bate um fio com o da Visa.

Trata-se de uma briga para ver qual vai dominar o mercado.

Neste cenário, cada player vem com suas armas:

  • Google tem globalmente 5 trilhões de buscas anuais; 50 bilhões de produtos no Google Shopping; 2 bilhões de MAUs do AI Overviews no mundo; e 750 milhões de usuários do Gemini;
  • A OpenAI tem aproximadamente 900 milhões de usuários ativos semanais (MAUs) no ChatGPT; 50 milhões de pagantes do ChatGPT; 9 milhões de pagantes da sua versão empresarial, o ChatGPT for work;
  • Mastercard e Visa apostam na sua relação estreita com o consumidor, bancos, varejistas e uma ampla rede comercial em mais de 200 países;
  • Meta registrou 3,6 milhões de usuários em sua família de aplicativos e obteve mais de 1 milhão de conversas entre pessoas e os agentes de PMEs no Business AI no México e Filipinas no final de 2025.

Quem passou pela começo da Internet das Coisas sabe que um dos principais problemas que perdura até hoje é o de termos uma série de protocolos que não se conversam. A falta de padronização freou o avanço do mercado.

Isso sem contar outras iniciativas em telecom que não deram certo por falta de união e padronização, como carteiras de pagamento e serviços de publicidade. Erraram e falharam. Até o momento que o mercado aprendeu que a união faz a força. Tanto que criou o Open Gateway, um ecossistema padronizado para todas as operadoras oferecerem suas APIs abertas.

Muito podem dizer que o segredo neste universo agêntico será um assistente orquestrador, como o OpenClaw. Mas se os protocolos continuarem fechados, o orquestrador vai ficar preso a uma ou duas pontas. Antes dos dados, dos catálogos, das vendas, o mundo dos agentes precisa de padrões conversacionais entre eles.

 

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