A DPONet aproveitou o seu evento DPO Day para apresentar ao mercado a sua assistente baseada em inteligência artificial generativa e dedicada aos encarregados de dados na última quarta-feira, 29. Batizada como DAI (DPO Artificial Intelligence), a IA tem como objetivo facilitar a vida dos profissionais responsáveis pela proteção de dados nas empresas, os DPOs, sejam eles de TI, ou das áreas jurídica ou de qualidade.
Em conversa exclusiva com Mobile Time, Ricardo Maravalhas, CEO da companhia, explicou que a assistente faz parte da evolução da DPONet, uma plataforma de Software as a Service (SaaS) que surgiu em 2020 com serviços embarcados para todo tipo de empresa (das grandes às pequenas) se adequarem à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoas (LGPD). Esse conjunto de soluções possui:
- A plataforma DPONet para gestão da privacidade e adequação à LGPD e a possibilidade de contratação de um DPO terceirizado (DPO as a Service);
- DPO Advisor, uma ferramenta de gerenciamento e monitoramento dos processos de adequação;
- DPO Easy, uma solução mais especifica para garantir a conformidade em sites corporativos.
Agora, DAI chega para complementar o portfólio da fornecedora e simplificar o trabalho do DPO.
Desenvolvimento
Inicialmente feita como uma solução interna da DPONet, a assistente virtual era uma ferramenta analítica para ganhar escala e reduzir custos em tarefas como enquadramento legal à LGPD. Em sua evolução para o mercado, a DAI ganhou algoritmos próprios para o uso de grandes modelos de linguagem (LLM) de prateleiras e fine-tuning com base nos dados históricos de 5 mil clientes.
Maravalhas explicou que a assistente consegue fazer pareceres, enquadramento legal e atender ao titular dos dados em seu começo de jornada. Mas a ideia é que apesar de automatizada haverá sempre o usuário humano em seu controle e comando (human in the loop, no jargão do mercado). Ao longo de 2026, a solução ganhará mais funcionalidades. São elas:
- Resposta a questionários de terceiros, o que permitirá à DAI responder a diretrizes de requisitos de proteção de dados enviadas por terceiros em transações de dados pessoais;
- Copilot para DPO, um assistente direto para auxiliar no atendimento a titulares de dados e tarefas internas;
- Análise de evidências em programas de governança e ISO para analisar as evidências e aderências às políticas de proteção de dados em uma empresa, como regras de backup;
- Análise de contratos com cláusulas de LGPD para indicar inclusões ou remoções de trechos do texto.
Desse rol de funções para a DAI, as duas últimas são as únicas com datas confirmadas. A análise de evidências será lançada até o final de abril e a análise de contratos chega ao fim de 2026. Sobre o modelo de negócios, o CEO afirmou que a DAI será oferecida dentro do pacote da plataforma DPO Net e do DPO Advisor, em uma forma de retribuição aos clientes. Ainda existe a possibilidade de preparar essa solução white label.
Ricardo Sabatine, CTO da DPONet, destrinchou a solução. O executivo de tecnologia afirmou que, atualmente, o Gemini é usado como principal LLM da DAI, uma vez que a companhia fez parte do programa Google for Startups. Por atender o universo corporativo, a assistente com IA terá inicialmente uma versão principal web e posteriormente uma versão mais simples no WhatsApp.
No WhatsApp, a solução servirá para apoiar em tarefas mais rotineiras e emergências, como incidentes de segurança de informação. Ao Mobile Time, Sabatine afirmou que consideram construir o serviço no mensageiro com apoio de um parceiro BSP da Meta para não terem problemas com os novos termos e serviços.
Mercado e maturidade

Ricardo Maravalhas, CEO da DPONet (divulgação)
Atualmente, a DPONet tem 4 mil clientes ativos que estão divididos em dois grupos: 1) clientes com times estruturados e com encarregados de dados dedicados que usam apenas o SaaS na gestão dos processos; 2) a maioria: empresas pequenas e médias que não têm capital ou mão de obra para ter uma estrutura interna de proteção e gestão de dados e contratam a plataforma e seus serviços, em especial o DPO as a Service.
Maravalhas explicou que 49% dos consumidores de seus serviços são empresas do setor de saúde, um segmento maduro pelas necessidades regulatórias que tem como clientes principais as cooperativas da Unimed, além de hospitais e laboratórios e clínicas. Os outros 51% estão pulverizados em 100 setores da economia nacional, mas principalmente empresas de tecnologia que atuam com B2B, não são reguladas, mas sofrem pressões de seus contratantes que são regulados.
Dessas empresas, o CEO explicou que a maturidade é mais forte nas grandes, mas há muita dificuldade de aculturamento organizacional na proteção de dados e adequação à LGPD em pequenas e médias empresas: “Essas empresas não têm processos bem definidos, relatório de impacto, não sabe como registrar um incidente, aliás, não sabem sequer que têm um incidente”, disse.
“A impressão que tenho é que 60% a 70% do mercado brasileiro não estão adequados à LGPD. Porque, geralmente, quando se faz a análise do mercado brasileiro, só se olha para as grandes, e 80% destas são aderentes. Agora, se olharmos para as pequenas e médias, a maioria não quer saber, acha que custa caro e não tem o aculturamento. Então, a lei (LGPD) ainda não atingiu eles”, concluiu.
Dificuldades
O setor de educação é visto por Maravalhas como o mais imaturo para a LGPD, em especial na educação de base. O cenário para este setor ficará mais complicado com a aplicação do ECA Digital, a lei digital focada na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Em sua visão, o setor pode ser afetado por fiscalização pela Justiça, apesar de a ANPD não ter capilaridade: “A ANPD deve estar com uns 150 colaboradores e está para contratar mais de 250 que passaram em concurso. Mas isso é pequeno para o Brasil”, disse o CEO da DPONet. Maravalhas enxerga que o setor de educação tem como principal desafio em 2026 se adequar à LGPD e ao Eca Digital.
Imagem principal: Ricardo Maravalhas, CEO da DPONet (divulgação)

