A Meta vai encontrar dificuldade em convencer muitas grandes empresas a adotarem a sua recém-lançada plataforma de construção de agentes de inteligência artificial, a Meta Business Agent. Qualidade, dependência tecnológica, transparência estratégica e, principalmente, compartilhamento de dados são os principais pontos de preocupação, de acordo com apuração feita pelo Mobile Time com diversas fontes no mercado brasileiro.

Um prospecto da solução e uma minuta do contrato de utilização do serviço já circulam entre os parceiros da Meta no Brasil. Aqueles que tiveram tempo de revisar os documentos com atenção reclamam que a Meta terá acesso aos dados das conversas para que sejam processados pelos seus agentes de IA e poderá usá-los não apenas para treinamento dos seus modelos, mas também para melhorar quaisquer outros produtos da empresa, inclusive para personalizar a entrega de publicidade.

“Nenhuma grande empresa quer que a Meta escute as suas conversas porque sabe que ela vai poder usar as informações para melhorar os anúncios dos seus concorrentes”, comenta um executivo.

“Ninguém vai me convencer de que a Meta quer apenas vender tokens. Ela quer acessar os dados das conversas para vender publicidade”, avalia outra fonte.

Apesar das críticas das fontes ouvidas pelo Mobile Time, é preciso dizer que já há grandes empresas no Brasil testando a plataforma e obtendo bons resultados, vide os cases da Movida e do Sem Parar, destacados pela Meta durante a apresentação da ferramenta há poucas semanas.

Dependência tecnológica preocupa

Outra barreira é a dependência tecnológica a um único modelo. A Meta condiciona a isenção de tarifas sobre mensagens de resposta “não template” no WhatsApp ao uso de agentes de IA criados na sua plataforma, logo, com o seu modelo de inteligência artificial.

O problema é que uma das principais tendências no mercado de agentes de IA é justamente a orquestração de diferentes LLMs para obter a melhor relação entre preço, acurácia e latência. Um robô de conversação pode acionar diferentes modelos ao longo de uma conversa a depender da combinação desses critérios. A inteligência por trás dessa orquestração é um dos ativos mais valiosos de várias plataformas de construção de agentes de IA em operação atualmente.

Essa orquestração é valorizada também pelas grandes empresas que usam essas plataformas, porque garante otimização dos custos com tokens e maior assertividade nas conversas — além de garantias em relação à privacidade dos dados, especialmente quando o processamento é feito localmente, com modelos open source.

Falta de transparência estratégica

Fontes se queixam também de que ainda estaria um pouco nebulosa a estratégia por trás da Meta Business Agent. Não estaria claro, por exemplo, qual será o papel dos BSPs na utilização dessa plataforma: se vão poder consumi-la por meio de chamadas de APIs ou se precisarão usá-la como uma aplicação.

Cabe ressaltar que a Meta segue em contato próximo com os principais BSPs no Brasil e procura assegurar que eles são essenciais em sua estratégia, mesmo nessa nova fase.

Corrida da IA

O lançamento da Meta Business Agent, aliado à isenção de custo de mensagens “não template” no WhatsApp para as empresas que adotarem essa plataforma de IA, é visto como um movimento da Meta dentro da corrida internacional pelo mercado de inteligência artificial.

Nessa corrida, a Meta disputa com a OpenAI, a Anthropic, o Google e a SpaceX. Além disso, ela enxerga especificamente na base do WhatsApp uma porta de entrada para a monetização com IA.

A dúvida, na opinião de algumas fontes, estaria no tamanho do apetite das empresas em adotar agentes de IA construídos pela Meta nos dois maiores mercados do WhatsApp no mundo, o Brasil e a Índia.

Mais repercussão, Super Panorama e Super Bots

Leia aqui outra matéria repercutindo os movimentos recentes da Meta, mas com foco nos impactos no mercado brasileiro de mensageria.

Conheça mais dados sobre a popularidade do WhatsApp no Brasil e seu uso por empresas para a comunicação com clientes na pesquisa Super Panorama Mobile Time/Opinion Box.

As últimas tendências no mercado brasileiro e internacional de robôs de conversação serão debatidas em painéis e palestras na 12ª edição do Super Bots Experience, evento organizado pelo Mobile Time nos dias 18 e 19 de agosto, no WTC, em São Paulo. A agenda atualizada e mais informações estão disponíveis em www.botsexperience.com.br.

 

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As ilustrações das matérias são produzidas por Mobile Time com IA