O Banco do Brasil, o Bradesco e a EloPar confirmaram na noite desta segunda-feira, 5, o desejo de compra de todas as ações da Cielo que estão em circulação (free float, no jargão do mercado financeiro). Bradesco, Cielo e BB informaram sobre a nova estratégia em fatos relevantes após o fechamento das operações na B3 e divulgação de resultados da adquirente.

Batizada como ‘oferta pública de unificada de aquisição de ações ordinárias da Cielo’, a operação financeira tem como objetivo adquirir todas as ações da adquirente por Bradesco, BB e EloPar, tirando os papéis de listagem na bolsa.

Além disso, as três empresas vão aumentar a participação acionária na companhia de pagamentos.

Estrutura

A operação é tocada por Quixaba Empreendimentos e Participações (leia-se Bradesco) e BB Elo Cartões e Participações e Elo Participações (Banco do Brasil), além da EloPar (Livelo e Alelo), em algo que pode ser encarado como uma operação de salvamento da companhia, que tem um endividamento alto e quedas constantes na base ativa de clientes em um mercado competitivo.

Atualmente, Bradesco e BB são os controladores da Cielo e possuem 58,7% das ações, sendo 30% do Bradesco e 28,6% do BB. Com 40,5% das 2,7 bilhões de ações da Cielo em circulação, o equivalente a 1,1 bilhão de papeis, a operação pode chegar a R$ 5,8 bilhões, uma vez que o  preço da ação na OPA será R$ 5,35.

Com o papel ofertado a R$ 5,03 nesta segunda-feira na B3, o valor de mercado da Cielo é de R$ 13,6 bilhões.

A compra precisa ainda do crivo da CVM.

Resultado financeiro

Embora a Cielo tenha apresentado um lucro líquido consolidado (Cielo mais Cateno) de R$ 1,9 bilhão em 2023, alta de 26% contra R$ 1,5 bilhão de um ano antes, há ressalvas quanto ao seu endividamento, que deve chegar a R$ 8,3 bilhões em 2025  A companhia finalizou o último ano com R$ 1,4 bilhão no caixa, uma queda de 50% ante R$ 2,1 bilhão que possuía um ano antes. Além disso, houve um aumento de 24% nas despesas operacionais, de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,6 bilhão, em um movimento puxado pelas despesas de pessoal e despesas gerais.

Por sua vez, a base ativa de clientes caiu 17% na comparação 2022 com 2023, de 1 milhão de clientes para 870 mil, em uma competição mais acirrada com outros players do mercado. Isso reflete também em recuo de 8,2 bilhão para 7,8 bilhões de transações (-5%), e consequentemente no volume financeiro de transações de R$ 872 bilhões para R$ 816 bilhões (-6%), na comparação ano a ano das operações de crédito e débito.

Análise

Publicamente a Cielo tem negado nos últimos anos o impacto do Pix em suas operações. Por diversas vezes, os executivos da empresa creditavam os resultados à disputa predatória de sua empresa contra outras adquirentes no mercado. Mas nota-se que a queda de volume mais forte foi no débito.

O volume de transações via cartão de débito em 2023 caiu 10% na comparação com 2022, de R$ 355 bilhões para ante R$ 317 bilhões. E a quantidade de transações foi de 4,4 bilhões, uma redução de 6,5%.

Para efeito de comparação, o crédito também apresentou quedas, mas foram mais modestas. O volume de transações no cartão de crédito diminuiu de 3,7%, de R$ 517 bilhões para R$ 498 bilhões. E a quantidade de transações caiu 4,7%, de 3,5 bilhões para 3,3 bilhões.

Crédito: imagem produzida por Mobile Time com IA generativa