A Autoridade de Competição e Mercado (CMA) do Reino Unido abriu uma segunda análise sobre a compra da Activision Blizzard pela Microsoft nesta terça-feira, 22. A investigação por parte do regulador acontece após a Microsoft apresentar um segundo pedido de aprovação da fusão avaliada em US$ 69 bilhões.

A operação foi anunciada em janeiro de 2021, mas não avançou por receios de reguladores. A diferença deste segundo pedido é que a compradora começou a apresentar os primeiros remédios da transação, ou seja, uma série de contrapartidas que garantem isonomia e competitividade para os demais participantes do setor:

  • A Microsoft não vai mais comprar os jogos em nuvem da Activision em PCs e consoles e em nem jogos novos;
  • Em seu lugar, os direitos dos jogos da Activision em cloud gaming serão vendidos para a Ubisoft globalmente (exceto a Zona Econômica da Europa);
  • Com isso, a Ubisoft terá plenos direitos sobre os jogos, isso inclui explorar diversos modelos de negócios como licenciamento e assinatura;
  • Os jogos poderão ser produzidos para plataformas fora do ecossistema do Windows;
  • A Microsoft ainda se compromete a cumprir esse acordo por 15 anos.

Pelo lado da Ubisoft, a operação fortalece seu serviço de assinatura em nuvem Ubisoft+ que está atualmente disponível para PCs, Amazon Luna, Xbox (Microsoft), e Playstation (Sony).

Favas contadas, só que não

Segundo a diretora executiva da CMA, Sarah Cardell, embora a revisão do acordo permita aos jogadores acessarem os jogos da Activision em diferentes plataformas e formatos, isso não significa um “sinal verde” para o regulador britânico aprovar a aquisição: “O nosso objetivo não mudou – qualquer decisão futura sobre esta compra vai garantir que o crescimento do mercado de cloud gaming continue a beneficiar a abertura efetiva para a competição, a inovação e a liberdade de escolha”, afirmou.

Assim como ocorreu na primeira avaliação, a CMA convida novamente as partes interessadas a tecerem seus comentários sobre a aquisição até 1 de setembro, em especial sobre impactos para o ecossistema de games no Reino Unido. A data limite para o parecer final do órgão sobre esta etapa da investigação é até 18 de outubro.

Importante dizer que os remédios e a segunda investigação não são considerados como uma nova etapa para o regulador, mas “uma investigação separada” sobre a aquisição.

Entenda

Vale lembrar que a fase de inclusão de comentários foi quando a operação de compra azedou para a Microsoft. A partir da contribuição de rivais, como Sony e Nintendo, o regulador britânico viu preocupações do setor (cloud gaming, em especial).

Com isso, a investigação foi para a segunda fase (mais dura e com mais escrutínios). Nela, a CMA indicou que a compra seria realizada apenas se tivesse remédio, mas a Microsoft não tomou nenhuma das ações oferecidas. Isso resultou no bloqueio da aquisição em 26 de abril deste ano.