Empresa de tecnologia e infraestrutura digital, a Local DC, que faz parte da holding Murano, resolveu se aventurar em um novo mercado, o da inteligência artificial (IA). Para isso, ela partiu do zero, criando seu próprio software. A plataforma realiza um monitoramento inteligente, sendo capaz de analisar cenários em tempo real, o que possibilita que ela identifique alguma situação fora do padrão estabelecido, como mudança na cor da água ou comportamentos de risco. Uma vez que algo atípico é identificado, ela alerta o usuário responsável pelo monitoramento.

O projeto levou cerca de dois anos para se concretizar e conta com seu próprio data center. De acordo com Andrea Farias, diretora de negócios da Local DC, inicialmente a ideia era atender a segurança pública. Só que com o desenvolvimento da tecnologia, a empresa notou que ela também teria aplicabilidade no monitoramento do meio ambiente.

A partir disso, ela resolveu comercializar a mesma plataforma em dois produtos com focos diferentes: o Guardião.AI e o Aruanã.ai. O primeiro, como o próprio nome faz alusão é focado em segurança, podendo ser utilizado para identificar assaltos, inundações e acidentes em piscinas. Farias explica que isso possibilita atender tanto a iniciativa privada quanto a pública, sendo mais utilizado na agricultura e em centros urbanos. Já o segundo é direcionado para a preservação ambiental, assunto em alta e cada vez mais emergente diante do aquecimento global e das mudanças climáticas.

Local DC

Data center da Local DC, localizado em Sorocaba (SP). Foto: divulgação/Local DC.

Aruanã.ai

Para identificar evidências de alterações, como desmatamento, poluição e pesca ilegal , o Aruanã.ai conta com visão computacional e blockchain. Hoje, ele já opera nas cidades de Nísia Floresta/RN e Canguaretama/RN, com foco na identificação dos responsáveis por descarte irregular de lixo em locais que dão acesso aos mangues, pesca no período do defeso — quando é proibida a prática para garantir a reprodução natural de espécies — e monitoramento de berçários de tartarugas. Farias afirma que a instalação da tecnologia já trouxe redução no número de denúncias em poucas semanas.

Já em Fernando de Noronha, os objetivos são outros. Segundo a diretora de negócios da Local DC, uma das praias do arquipélago é a primeira a receber o lixo vindo de correntes marítimas, mas por ser inacessível, as autoridades só tomam conhecimento da presença dos entulhos quando eles já estão espalhados pela orla. Com o Aruanã.ai, a ideia é identificar esses blocos de lixo a cerca de 150 metros de distância da costa.

A instalação da estrutura, que ocorrerá em parceria com a “Amigos de Noronha” — iniciativa que arrecada fundos para a preservação do arquipélago — ainda será responsável por identificar quais moradores estão deixando os guarda-sóis nas praias de forma permanente, ação proibida em Fernando de Noronha. Neste caso, o objetivo é que as autuações ocorram de forma mais rápida, sem depender necessariamente da ida de um fiscal para identificar os infratores.

Expectativas no pós-COP30

Em novembro, a empresa teve a oportunidade de participar da COP30, realizada em Belém (AM). A empresa esteve na Green Zone, espaço onde instituições públicas e privadas, além de líderes globais e sociedade civil podiam participar para se apresentarem e dialogarem. Para a executiva, a participação proporcionou visibilidade para a Local DC, inclusive, com a visita do ministro da agricultura, Paulo Teixeira, à sede da companhia, em Sorocaba (SP).

“Como tivemos diversos visitantes em nosso estande, acreditamos que o início deste ano será bastante positivo para fecharmos novos negócios”, diz Farias. Ela também ressalta que o evento foi uma forma de a empresa se comprometer mais com a causa ambiental, já que está em treinamento para conseguir ser parte do programa de sustentabilidade corporativa da ONU, o Pacto Global.

Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

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