O Mobile Time conversou com executivos de Mastercard e Visa para saber o que as bandeiras vêm fazendo sobre frentes que estão cada vez mais em alta quando o assunto é tecnologia de pagamento. Uma delas é o comércio agêntico, uma inovação que está caminhando no Brasil e é vista como a próxima fronteira do setor.

Para o vice-presidente de produtos e inovação da Visa, Frederico Succi, essa tecnologia deixará invisíveis os pilares das transações. Na bandeira, o desenvolvimento da inovação está se encaminhando para o final, com a implementação do rollout.

“Recentemente, fizemos a primeira transação com agente em ambiente de produção no Brasil. Ao longo dos próximos meses, queremos ampliar esses testes para que comércios e credenciadores tenham maior confiança na compra agêntica”, disse o vice-presidente da Visa, no 19º Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamentos (CMEP), realizado em São Paulo, nesta terça-feira, 14. O processo deverá, inicialmente, priorizar uso de “verticais”, ou seja, um agente exclusivo para uma loja específica. Após isso, a bandeira ampliará a inovação para modelos “horizontais”, em que um agente do usuário fará as buscas por produtos na internet.

Integração e segurança

Toda essa tecnologia requer uma forma de integração versátil com os diversos modelos de inteligência artificial utilizados nos dias atuais. Ao considerar isso, a Visa resolveu desenvolver o Intelligent Commerce Conect, dentro do Visa Intelligent Commerce. Trata-se de um conector único, uma espécie de tradutor, que viabiliza a conexão de varejistas a diferentes padrões de IA no mercado, como o do Google, Universal Commerce Protocol (UCP), ou o do Stripe, Machine Payments Protocol (MPP), por uma mesma camada de integração. 

Só que nada adianta tantos arranjos grandiosos se o comércio agêntico não conseguir engajamento entre comerciantes e consumidores. A questão é considerada um desafio tanto por Succi quanto pelo vice-presidente sênior de soluções para clientes da Mastercard Brasil, Eduardo Arnoni. “A bandeira por si só traz confiança, mas essa novidade é uma incógnita para todos nós. Por isso, cada processo de compra agêntica é devidamente analisado”, disse Arnoni. Ele acredita que a tokenização e a infraestrutura de chaves (PKI) são o alicerce dessas transações.

Tokens e passkeys também são parte central da meta da Mastercard de eliminar o uso de senhas até 2030. O desenvolvimento da tecnologia tem como base pesquisas e autenticação biométrica vinculada a dispositivos móveis. De acordo com o vice-presidente da empresa, mais da metade das transações online feitas com a bandeira são tokenizadas.

Da parte da Visa, uma outra ferramenta deve “destravar” o comércio agêntico. O Visa Cloud Token Framework teve seus primeiros testes divulgados em fevereiro deste ano, que ocorreram em parceria com o Santander. A inovação tem como propósito oferecer uma experiência de compra sem fricções e tem como meta estar em toda a infraestrutura habilitada até meados de 2027.

A bandeira também está trabalhando em um certificado de segurança para os modelos de IA, chamado “Trusted Agent”. A tecnologia deverá contribuir na diferenciação de transações legítimas, feitas por agentes de inteligência artificial, das fraudulentas feitas pela mesma tecnologia ou algo semelhante.

Ajuda e oportunidades nas pesquisas

Ambos os executivos destacaram a relevância que as IAs começam a ter quando o assunto é pesquisa por produtos. Na Mastercard, por exemplo, há a solução Shopping Muse, agente conversacional que ajuda o consumidor a encontrar produtos de acordo com as suas necessidades ou preferências antes da etapa de pagamento. A tecnologia já opera em varejistas como a C&A, no Brasil, e a Michael Kors, na Europa, e é aberta para qualquer consumidor que acesse as plataformas digitais de ambas.

As buscas por produtos em modelos de IA são também motivo de debate. Há quem diga que o comércio eletrônico precisará se adaptar, diminuindo o foco em SEO, para o GEO. A mudança tende a ser mais desafiadora para pequenos comércios, mas, para Succi, se o agente é capaz de identificar lojas fraudulentas e deixá-las de fora da pesquisa, a transição tende a abrir novas portas para aqueles que são legítimos e não conseguiam atrair tanto o público em mecanismos de busca.

Ilustração produzida por Mobile Time com IA.

 

*********************************

Receba gratuitamente a newsletter do Mobile Time e fique bem informado sobre tecnologia móvel e negócios. Cadastre-se aqui!

E siga o canal do Mobile Time no WhatsApp!